quinta-feira, 26 de março de 2009
Educação
sábado, 14 de março de 2009
Mulheres
MULHERES.
R&A e seu aprendizado sobre o universo feminino.
A R&A sempre homenageou as mulheres em março. Afinal, nossa alma é feminina. Após 2008 é impossível que eu e as consultoras da Rebouças não falemos ainda mais da mulher. Conversamos através de nossa metodologia Offplan com muitas e diferentes mulheres. Conversamos com elas sobre aborto, sobre seus desafios como “chefes de família”, sobre suas enormes perdas e dores frente à violência doméstica. Sobre a tristeza de ver seus companheiros e filhos se perderem nas drogas, seja o álcool, as drogas naturais e as sintéticas.
Entrevistamos mulheres do campo e da floresta onde sua voz fica totalmente abafada por falta de qualquer apoio, já que lá não existe ainda nem as delegacias de mulheres.
Conversamos nesses anos com operários que até muito poucos anos não tinham banheiro exclusivos. Não tinham ainda uniformes operacionais femininos, faltavam pregas e ajustes, e mesmo assim elas usavam batom.
Me dei conta que vivi em ilhas, onde como mulher já podia ter e ser. Não é assim na maior parte de nosso país e no mundo.
Claro que também aprendemos sobre a mulher executiva que se perde no papel, sendo um homem disfarçado de terninho e na profunda confusão com sua sexualidade.
O grande desafio é ser dona de nossas vidas, que acabou sendo o tema da Campanha contra a Violência das Mulheres do Campo e da Floresta. Conhecemos também as donas de si e diretoras do seu caminho que foram incentivadas e capacitadas pelo Fundo Elas de Investimento Social. Mulheres da periferia que com suas mãos, vontade e criatividade construíram um artesanato com personalidade.Vivemos o lançamento do Fundo Elas quando Elisa Lucinda, Heloísa Buarque de Holanda, Eliane Brum, entre outras mulheres muito especiais puderam conversar sobre nossos desafios que estão aí nas notícias da mídia todos os dias.
Todas nós da R&A descobrimos em 2008 a dor do aborto (um problema de saúde pública), da perda, do estupro do padrasto, do pai. A dor do medo, do desrespeito, da pobreza, da falta de educação e a transformação de tudo em ação, sobrevivência, autodidatismo, coragem, alegria, emoção, enfim, em vida.
Do corpo que sangra mensalmente às lágrimas que derrubam pelos homens que amam, somos iguais em classe social, religião, nível educacional, profissional, ou seja, qual for nossa diferença.
Somos mulheres. Temos um plug muito forte com a mãe terra. Somos mães, irmãs, mulheres que nesse tempo de falta de valor e significados, estamos construindo conexões com novos tempos no mundo todo.
O vazio do consumo sem nexo, do culto a celebridade, dos mitos das belezas, estão ai para matar nossa liberdade e impedir nossas escolhas com o coração.
O Dia da Mulher é homenagem da conquista da nossa liberdade. Precisamos agora dar qualidade as nossas escolhas, impedir que as jovens se percam na capacidade infinita que nosso sistema tem de matar o que tem valor na nossa vida em sociedade, as nossas meninas e a menina terra. E esse mês da mulher tem um símbolo, a menina de Recife. Ela está aí para mostrar que fizemos muito e ainda nada fizemos. No seu silêncio em anos de abuso está a matéria prima para nossas ações, nós mulheres que muito temos a fazer.
TEXTO (Do Blog de MIRIAM LEITÃO)
Anoitece no dia da Mulher e este silêncio do blog não é falta do que dizer.É tristeza. O caso da menina de Recife foi devastador. Não, ninguém ignoraquantas meninas são vitimas da violência em suas próprias casas. Os algozessão os pais, padrastos, pessoas que deveriam estar ensinando e protegendo. Os números são muitos, os casos que aparecem na imprensa são frequentes. Masa menina de Pernambuco doeu mais.Talvez por ter apenas nove anos, por estar sendo estuprada desde os seis,ou porque a chantagem do padrasto era que mataria a mãe. Ou talvez porqueela é bem pequena, menor do que deveria ser para a sua idade. Amenina passou anos vendo a irmã também abusada. Só a mãe das duas nada via. O que acontece que cega as mães?A menina de Recife lembra o quanto a luta da mulher será longa. Recentementea Sharia, um código tribal brutalmente contra a mulher, foi restabelecidaem todo o Paquistão. Acaba qualquer chance de que não aconteçam casos como ada escritora do livro Desonrada, Mukhtar Mai, que foi condenada a serestuprada publicamente porque seu irmão de 12 anos teria olhado para umamulher de casta "superior". O suplicio de Mukhtar, com estupro público emúltiplo, só não foi mais intenso que sua força de superação. A históriadessa paquistanesa choca e emociona, mas a notícia de que a Sharia, quetinha começado a ser suprimida no Paquistão, volta a ser usada em todo opaís é um choque. Penso em Mukhtar naquela pequena aldeia onde ela decidiumorar e resistir com uma escola para meninas e meninos. Normalmente eu gosto de escrever nos dias oito de março, de quantoavançamos, mostrando estatísticas de conquistas, e de quanto falta avançar, mostrando as diferenças salariais, o pequeno percentual de mulheres no poderem qualquer país, as discriminações, mas aí... veio a menina de Recife. Ela simplesmente me enfraquece. Que números de avanços levantar paracompensar essa violência? Eu penso nela diariamente desde o dia da notícia. Não pela polêmica daIgreja Católica, porque a Igreja não me espanta. Que ela excomungue omédico, as enfermeiras, a mãe pela decisão de interrupção da gravidez e quenada diga sobre o estuprador, não me surpreende. É apenas bizarro! Medieval.Eu penso na menina de Recife e nos debates que tenho participado nos últimosanos, sempre em março. Nesses debates sempre discordo das mulheres bemsucedidas que dizem que a luta está ganha, que o feminismo é um movimentoultrapassado, ou outros equívocos assim. Eu, feminista, confesso, minha lutae meu espanto diante da incapacidade de ver o óbvio: que cinco mil anos deopressão não se acabam em poucas décadas, que há muito a fazer, a construir,a vigiar, para que haja algum dia respeito igual. Falta tanto para o dia emque poderemos dizer que o feministro está superado!Mas hoje, na verdade, eu penso apenas no futuro dela: a menina curará suasferidas? Conseguirá entender e processar a violência de que foi vítima? Vaiestudar, ter carreira, filhos? Vai conseguir amar um dia? Escapará das teiasda reprodução da pobreza? Vai simplesmente reaprender a brincar, como devefazer uma menina de nove anos?.Eu podia dizer que ela desperta em mim uma fúria feminista. E é verdade, masé uma verdade incompleta. Ela desperta em mim o o sonho de protegê-la dealgum modo. De embalá-la docemente e contar uma história cheia de aventurase graça. De cantar para ela uma cantiga de roda, de brincar de pique escondeem volta da casa. De ir com ela ao cinema e comer pipoca sentada no degraude uma escadaria. Que tal um sorvete para resfrescar o calorão?Não sei o que é. Mas por alguma razão eu penso insistemente na menina deRecife neste dia da mulher. Penso com o coração. Eu apenas sonho que suasferidas se cicatrizem um dia. O discurso feminista, com estatísticas e fatos eloquentes, eu o farei outrodia. Hoje eu apenas quero sonhar que a menina de Recife um dia, apesar de tudo, após tanta violência, será feliz.
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segunda-feira, 2 de março de 2009
Nossas escolhas
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Nossa insensibilidade
“...No Quênia hoje temos 3 milhões de pessoas passando fome”. E continuou: “O Flamengo hoje...” Por um instante minha mente registrou o absurdo da nossa civilização. Estamos conformados com uma forma de viver e pensar que certamente não nos leva a conseguir as transformações necessárias. Notícias repetidas, em tom monocórdico, viram paisagem e não penetram na nossa consciência. É assim com a fome, a violência, o aquecimento global e tudo aquilo que possa nos tirar do pseudoconforto. Às vezes a realidade, que fingimos não ver ou escutar, bate na nossa cara. E aí, só aí, muitos começam a se dar conta de novas tarefas a realizar
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
R&A 10 anos
Quando começamos nunca imaginaríamos como seriam os nossos primeiros dez anos! Neste período, tudo aconteceu no mundo para que percebêssemos que a hora era para transformar. Essa certeza começou em 1988, quando saindo de uma agência multinacional, na qual eu era diretora de planejamento, percebi que eu deveria construir uma estrutura de comunicação própria, experimentar e seguir minha intuição dos desafios que começava a enxergar.
A Oficina fez 20 anos em dezembro de 2008. Hoje olhamos para trás e vemos as inúmeras dificuldades que eu, Antonio Jorge - que foi meu sócio por 12 anos e continua parceiro da R&A até hoje - e todos que passaram pela empresa enfrentaram. A crise virou uma constante em nossas vidas. Crises do Rio de Janeiro, como a ida de nossos clientes para São Paulo, crise da Rússia, crise disso e daquilo e essa equipe guerreira não parou, nunca deixou qualquer coisa abalar sua convicção de que precisava superar cada desafio porque tínhamos uma missão a cumprir no mundo da comunicação. Crescemos com parceiros, associados e clientes que acreditaram no nosso trabalho.
Brigamos muito com aqueles que insistiam, e ainda insistem, em manter modelos obsoletos, em não perceber o papel estratégico da comunicação integral, com visão sistêmica para a sociedade. Brigamos com os que não compreendem a responsabilidade de quem trabalha com comunicação, sejam jornalistas ou publicitários.
Às vezes nos sentimos sozinhos, pequenos, fracos. De repente surgia um novo guia que nos instruía, nos capacitava para enfrentar mais uma dificuldade e o profundo desânimo que às vezes nos contaminava. Mas seguimos. Sempre com um profundo compromisso ético e com valores fortes que atraíram para nós os melhores profissionais e os melhores clientes. Não só empresas, mas os Dons Quixotes que delas fazem parte. Aqueles que não têm medo de refletir sobre o que fazem dentro das empresas, onde é tão difícil mudar culturas, ir adiante. Procurar brechas e fazer acontecer um evento que fosse, que transformava mentes. Temos muito a agradecer a mestres queridos, que nem sabem como nos ajudaram como Marilyn Ferguson, Frijot Capra, Leonardo Boff, Ken Wilber, Willis Harman, David Bohn, David Cooperrider, Judy Rodgers, do IVE, Humberto Maturana, Peter Senge, entre milhares de outros que nos incentivaram a aprender a estudar, prática tão distante dos publicitários, e a criar nossas metodologias hoje reconhecidas por tantas empresas.
Temos que agradecer às ONGs, que conhecemos fazendo a programação visual da ECO 92, que nos surpreenderam desenvolvendo trabalhos por causas e nos fizeram voluntários de tantas delas e pelo aprendizado de como é profunda a mudança que temos que operar. Talvez o maior agradecimento seja ao Betinho com quem aprendi o significado do amor à humanidade, que me ensinou que não é piegas ser solidário, olhar sempre com doçura para toda e qualquer pessoa e que a fome, que afeta milhões de pessoas no mundo, é a prova de nossa absoluta aceitação da exclusão.
Temos que agradecer aos parceiros, são tantos que é impossível nominá-los, mas tenho um especial carinho por criativos que descobriram que abrir mão de uma boa piada ou trocadilho vale a pena para sermos responsáveis na comunicação. PUC e FGV permitiram nascer a palestrante, quando dei aula de publicidade e descobri que através da matéria podia dar aula de vida e de escolhas.
A R&A caminhará para seus próximos anos e, hoje, com a certeza de que sua força permanecerá como causa mesmo com novas lideranças. Você que está lendo esse Boomerang especial, receba nosso carinho e o nosso muito obrigada. Se você faz parte do nosso mailing, é porque você deu uma contribuição para nossa história. Seguiremos conscientes de que temos muito trabalho pela frente. Rápidas transformações precisam se operar como diz o slogan do Green Peace no Fórum Social Mundial de onde acabei de voltar: “É agora ou agora”.
Nádia Rebouças
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Curiosidade
A experiência de viver um Fórum Social Mundial é inesquecível. Foi um grande impacto para mim em Porto Alegre quando pude participar pela primeira vez. Não poderia deixar de participar neste ano que a Amazônia é o cenário para o encontro de mais de 100.000 pessoas de todo o mundo. Mas um Fórum não é só essa diversidade visual de cores, raças, gênero, idades, idiomas como você vê na grande mídia. Ela insiste em deixar a imagem de um evento exótico.
O que acontece aqui é muito mais. São as diferentes causas, as diferentes teses, os diferentes argumentos, os diferentes sofrimentos que se misturam com respeito. É a presença de parte da cidadania ativa do mundo que trabalha para melhorá-lo. Que clama por justiça e humanidade. São intelectuais, profissionais de ONGs, religiosos, estudantes, índios, quilombolas, comunidades que de uma forma ou outra estão organizados, formando redes, atuando por causas que lhes desperta a vontade dos voluntários.
Caso você realmente tenha curiosidade para saber o que aconteceu, a internet é a solução. A grande mídia, um pouco mais complacente este ano, vai te mostrar cenas folclóricas, pinceladas. Não há porque dar voz a participantes do mesmo planeta que desde o primeiro Fórum anunciavam o desastre de um modelo econômico que não leva em consideração a vida na Terra.
O desejo pela acumulação de poucos que passa por cima do meio ambiente e das populações menos favorecidas que sempre foi a maioria dos habitantes deste planeta. Neste século alguns governos começaram a ensaiar passos de mudança, empresas inventaram a responsabilidade social e muitos empregados começaram uma luta dentro das corporações para humanizar suas atuações, seja para os empregados, seja para as comunidades que normalmente enxergam como pertencendo ao “entorno”, isto é, elas são o “centro”.
Tudo isso foi pouco, muito pouco para a transformação que precisa se operar. Não se trata mais de pequenas mudanças ou ajustes. A exigência desse momento da humanidade é por uma mudança de nível de consciência, somos convocados a reinventar a sociedade: como vivemos, como compramos, como e o que produzimos, como distribuímos as riquezas, mais ainda o que é riqueza nesse novo mundo. Ninguém tem a resposta e por isso o Fórum Social se torna um movimento que põe o mundo em movimento.
Atrás dessas pessoas que estiveram lá, andando quilômetros pelas universidades de Belém, que assistem com espanto as chuvas com hora quase certa, se encantam com os peixes e as frutas, estão milhares de outras que receberão a influência desses agentes de transformação. As teses serão divulgadas, as redes se intensificarão e mais e mais mudanças serão estimuladas. Não há muito tempo, precisamos mudar tudo. Claro que começa pela nossa forma de pensar.
Informe-se vá para a internet, pesquise o que foi debatido no Fórum, deixe que as mangas de Belém caiam também nas suas cabeças para que um novo ciclo possa começar no mundo e possamos ainda salvar algo. Curiosidade. Lembra? Por que tantas pessoas se reúnem para pensar nos inúmeros temas? (veja programação no site http://www.forumsocialmundial.org.br/
Cada um de nós só tem uma escolha hoje: viver de ouvidos e olhos vendados ou ouvir e sair falando para transformar.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
O amanhã começou hoje
dia 20/01/2009