terça-feira, 6 de julho de 2010

Maravilha de encontro

Confira trechos da participação de Nádia Rebouças, no talkshow com o Prof. Evandro Vieira Ouriques, ontem (05/07), no NETCCON.ECO.UFRJ. O encontro foi dirigido a alunos do curso JPPS - Jornalismo de Políticas Públicas Sociais. http://territoriojpps.ning.com/video/nadia-reboucas-no-jpps

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Ouvir basta para escutar?

Não, não basta. Há 11 anos a R&A usa metodologias de diagnóstico que partem do ouvir. Costumamos dizer que escutar é a nossa forma de planejar com mais eficiência. No entanto, muitas vezes os diagnósticos que trazem uma escuta profunda dos stakeholders não conseguem chegar aos níveis superiores das organizações.

Existem sempre os inovadores nas áreas de Comunicação ou RH. Ousam. Conseguem contratar uma pesquisa de “escuta profunda”, mas não conseguem tempo e disponibilidade emocional da liderança para efetivamente escutar. Por quê? Porque às vezes passam-se três anos, o gestor que contratou a pesquisa já foi para outra organização atrás de seus sonhos e o outro contratado “descobre” a pesquisa perdida num computador e nos liga porque descobriu ali os mesmos problemas que vem descobrindo na organização?

Sempre penso que os executivos não querem ouvir os diagnósticos porque na maioria das vezes não referendam as maravilhas disseminadas pelo Marketing da empresa.

Às vezes por vaidade, às vezes por medo de não conseguir mais manter o castelo de cartas. Mas na última Conferência do Ethos, Oscar Motomura abriu mais uma possibilidade: o medo de mudar.

Ouvir com profundidade pode, de acordo com ele, suscitar a pergunta: E se de repente o outro me convence? Pra que ouvir?

Não estamos no tempo de “marketear” o certo que fazemos. Frente aos desafios atuais busca de novo equilíbrio econômico, justiça social e respeito a todos os seres vivos, estamos longe, muito longe de fazer a coisa certa. Nas nossas próprias atitudes e mais ainda com nossas empresas e organizações.

Estamos num tempo da comunicação de fazer menos banner, jornalzinho ou publicidade e mais e mais comunicação face a face. Ouvir. Escutar e permitir que potências humanas adormecidas possam encontrar oportunidades de plena realização. Nas empresas, nas ONGs, nos presídios, nas comunidades.

É tempo de ouvir, refletir e não ter medo de mudar.

MARCAS

Escrevi esse texto para o evento de lançamento da marca da Eletrobras no final de março de 2010. Foi interpretrado por Marília Pera, num momento muito importante para as empresas Eletrobras. Compartilho com aqueles que prestam muita atenção a marcas.



Fico aqui no meu canto pensando e... pensando.
Na identidade, na nossa identidade. O ser de cada um de nós.

Ouço um pingo de água.... É... Acho que hoje é o dia da água... Ah! Uma homenagem a ela que nos faz entender a capacidade de nos movermos...

Você já se deu conta que a água não para? Encontra sempre caminhos... Pelos lados, por baixo e segue... Segue na sua busca singela... De ser água.

Aquela inevitável gota capaz de cair, assim... Sem pensar, e despertar toda a água numa ESPIRAL...
Só um pingo... Que fala do céu e da terra e produz... Movimento.
Acaba sendo uma marca que desperta todo o movimento... Criando círculos infinitos de transformação...

Penso nas marcas... Marcamos com símbolos, nosso gado.
Marcamos as pessoas... Com nomes!
O céu é todo marcado pelo desenho das estrelas, e lá estão elas se mostrando desavergonhadas, brilhantes!
E ganham nomes... Sozinhas e nas constelações...

No brilho delas, lembro de marcas da minha vida...
Ás vezes a marca do momento é um.... SOM.
Um barulho de água correndo no meio das pedrinhas redondas, na memória de minha infância... E pensar que esse rio vai e vai, se junta com outros, vai somando energias e acaba lá... Na explosão do mar! E a marca que ficou... Foi o SOM.
Ah! Mas às vezes, a marca que fica é um perfume... Lembro de odores, cheiros, perfumes incríveis, de vários momentos da minha vida... hum

Mas, tem momentos que deixam marcas... De tristeza...
Marcas, que na hora, no momento, parecem ter um tempo... Que não tem fim....
Mas logo vem o movimento... E tudo se transforma mais uma vez, trazendo outras marcas....
E vamos! Seguimos.
Essas são as marcas dos desafios... Que nos levam a construir outras e outras marcas....

E os momentos marcados pela dúvida?
Onde? Como? Como faço para construir pontes entre as marcas que carrego da vida e as novas marcas que estão chegando?

Mas, ai... Onde guardo para sempre a marca do sabor que aquela carambola perfumada deixou na minha boca? A primeira carambola, cortada em estrelinhas?

As marcas.... Das nuvens no céu, construindo imagens e eu ali... Descobrindo as coisas nos contornos delas...
Um cavalo... Olhe ali um cavalo...!

E ficam as marcas... Das nossas conquistas... Da nossa vida.
Memórias de nossa identidade.

domingo, 7 de março de 2010

Mulheres "sustentáveis"

Nossa, que difícil pensar na sustentabilidade e a mulher! Será que caminhamos para a conquista da sustentabilidade? Comecei a pensar nas mulheres que estarão aqui no futuro e que são fruto da minha geração, que brigou até para não usar sutiã! Isso tudo faz tempo e muita coisa mudou!

Creio que não podemos falar em mulheres genericamente. De que mulher vamos falar? Das executivas que são diretoras de grandes empresas? Daquelas que conseguiram se destacar na política e chegaram até ao cargo mais alto do país? Daquelas que em várias atividades, lutam para construir um mundo melhor, se posicionando como agentes políticos?

Ou será que falamos daquelas que levam de 2 a 3 horas para ir e vir do trabalho, que não tem com quem deixar seus filhos, que cuidam de tudo sozinhas porque os maridos... Essas ficam com medo da adolescência de seus filhos porque ela vem carregada de ameaças: drogas, violência, armas e falta de oportunidades. Encontramos ainda as que sofrem muita violência doméstica, que nos pedem ajuda também para os homens, para que possam melhorar a qualidade de vida. Algumas perdidas na zona rural ou ribeirinhas que vivem situações de violência doméstica em localidades sem qualquer apoio.

Ou falaríamos da novíssima geração, essa sim, contaminada pelos novos tempos que se anuncia que proíbem ou controlam a TV para seus filhos, insistem em novos hábitos alimentares, lêem rótulos de alimentos e remédios, que controlam o consumo do supérfluo? Sonham com as ecovilas, tentam reciclar o lixo em suas casas, para nada (os condomínios e prefeitos não fazem sua parte), têm filhos de parto normal, e escolhem amamentar e amamentar e tentam buscar o difícil equilíbrio entre o profissional e a família?

Nossa, mas ainda temos tantas outras mulheres! Aquelas que escolhem focar em plásticas, academias, regimes e roupas justas. As hetero e as homossexuais e, claro, as bissexuais. Já temos até uma parcela que escolhe viver só, sem filhos.
Além disso, ainda temos as que estão mudando o sentido do que se convencionou chamar de velhice, as mesmas que começaram a revolução, lá atrás. Muitas na mesma luta para construir novos tempos.

Um perigo falar de mulheres. Somos o que somos, o que escolhemos, o que pensamos ou queremos ser. Pelo menos fica claro o que conquistamos, temos muito mais direito de escolha. Nunca em nenhum outro momento da civilização as mulheres foram tão diversas. Uma coisa, no entanto, não mudou, a nossa capacidade de influenciar a educação de futuras gerações, ao contrário, ela só aumentou. A pergunta que fica é o que fazemos com esse nosso poder influenciador para manter nossa casa azul e solta no universo, respirando? Será que daqui a, sei lá, 20 anos, vamos ter uma revolução do feminino, onde homens e mulheres vão redescobrir o sentido da palavra proteger?

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O estímulo fantástico ao fim da visão da cerca, do muro

Só consigo escrever emocionada. Nunca confessei isso antes, mas é assim. Passei os últimos quatro meses dentro da campanha TicTacTicTac, que pretende de alguma forma unir todas as vozes que gritam para repensar tudo, especialmente, a nossa visão de cercas, muros.

Dentro da própria campanha, o desafio foi ultrapassar a visão de muro. Quem dividiu a Terra em cercas e inventou milhões de regras e sistemas “democráticos”, tentando organizar a conversa entre os muros? Fomos nós. Criamos a linguagem que nos separara dos gestos e do olhar. De alguma forma, passamos a acreditar que éramos diferentes uns dos outros, que cada pedaço do território era independente de um sistema maior.
Construímos culturas focadas em pequenos recantos, sem conseguir perceber o todo.

Como falaria Robert Wilson, ficamos com a escolha da refeição e não enxergamos o menu. Ou ainda de forma mais significativa, ficamos com o mapa e não conseguimos ver ou sentir o território. Perdemos a visão da menina Terra e que ali dentro dela todos nós teríamos, sempre, nosso destino.

A COP 15 é um choque porque, pela primeira vez, alguns atores do comando dos territórios percebem o mapa global. Percebem que é uma bobagem pensar nas partes, mas descobrir, de repente, que estamos tratando do “nós comum”. Estamos todos dentro do mesmo desastre anunciado. TicTacTicTac. O tempo voa e não estamos nos dando conta, com a rapidez necessária, da importância da atitude de cada um de nós, mesmo que Copenhague esteja tão longe.

Neste momento que escrevo, Obama está em trânsito para Copenhague. Aqui não são os outros - burocratas, técnicos, políticos - que podem ter uma atitude final que inove na civilização, mas são “eles”, os que dirigem esse nosso planeta Terra neste exato momento. Nunca antes na história da civilização, um momento como este aconteceu. Eles, os “donos do mundo”, lá dentro conosco. Nós todos - ativistas, cientistas, cidadãos comuns, profissionais de meio ambiente, ONGs, empresas (existem algumas) - aqui fora, estarrecidos com as notícias e os fatos que nos fazem temer pela capacidade dessa sofrida casa que habitamos resistir aos absurdos. Trata-se de fazer escolhas, de perceber e acessar formas de viver, que acreditamos e executamos no nosso dia-a-dia, mês a mês, ano a ano. TicTacTicTac.

O tamanho da transformação exigida de nós é muito maior do que a COP 15 ou do que a decisão “deles”. Mas a decisão deles tem também um papel fundamental para nos ajudar - profissionais de Comunicação, ativistas, sonhadores - a conseguir alavancas para seguir. Temos que mudar atitudes, criar novas tecnologias e novas políticas públicas, responsabilizando todos nós, habitantes do planeta Terra. Não existem muros, existe um único território.

Por um acaso, as decisões sairão no dia 18, dia do meu aniversário. Sinto-me privilegiada porque posso pedir um presente: motivos concretos para que eu possa trabalhar mais rápido por um futuro. Tudo é movimento e não acaba agora, só entenderemos onde estamos dessa vez, construindo essa nova civilização. Ela está nascendo, em dor de parto. Poderíamos dizer que o parto é difícil, o bebê está sentado, fora da posição ideal para normalmente replicar a vida. Mas precisamos seguir, não temos outra chance. A escolha é: Qual será o tamanho do avanço hoje?

A COP 15 acaba, mas não a campanha global TicTacTicTac. Ela sai como patrimônio dos empreendedores do novo mundo, multiplica a capacidade em rede, sem fronteiras, com algumas vaidades, mas com uma capacidade de mobilização do tamanho da nossa menina, a Terra.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Sua voz em Copenhague

Pessoas ao redor do Planeta se unem à Campanha TicTacTicTac para dizer que “O mundo quer um acordo pra valer”, na Conferência sobre Mudanças Climáticas, realizada pela ONU, em Copenhague, na Dinamarca. O objetivo é enviar mensagens aos participantes da Conferência e contribuir para a redução das emissões dos gases causadores do efeito estufa.
Os organizadores da campanha global sugerem ações que serão apresentadas durante a Conferência, que ocorre até o dia 18 de dezembro, como manifestação dos cidadãos do Planeta Terra: a pintura de mensagens em paredes e vigílias com velas.
Visite o site http://www.tictactictac.org.br e escolha um evento próximo de você.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

COMO AS MULHERES SE SENTEM FRENTE A VIOLÊNCIA NAS CIDADES?

Quando pedimos que as mulheres, em 7 cidades, desenhassem como se sentiam frente a violência no Projeto Mulheres - Diálogos sobre Segurança Pública, que foi realizado pela Secretaria Especial de Pol[iticas para as Mulheres com o apoio da UNIFEM, UNODC e UNFPA, nas cidades de Salvador, Recife e Canoa,s tivemos o símbolo da flor chorando. Uma chora lágrimas de sangue (Canoas), outra em Recife chora lágrimas negras e outra (Salvador) chora palavras de dor. A flor, um símbolo tão associado à mulher por todas as grandes cidades brasileiras, chora. Chora pelos nossos mortos pela violência que se multiplica sem parar. Continuamos acreditando que reprimir é a solução. As mães, avós, irmãs continuam vivendo carregando suas dores. Morrendo de medo que seus filhos cresçam, virem adolescentes e a vida os leve para a morte. Presisamos parar. Elas nos pedem isso. A vida, o respeito a ela, nos pede isso. Seremos capazes de construir uma cultura de paz? No link abaixo você pode ver filme que documentou o estudo.

( http://vids.mayspace.com/index.cfmfuseaction=vids.individual&videoid=62498179)