quarta-feira, 18 de novembro de 2009

COMO AS MULHERES SE SENTEM FRENTE A VIOLÊNCIA NAS CIDADES?

Quando pedimos que as mulheres, em 7 cidades, desenhassem como se sentiam frente a violência no Projeto Mulheres - Diálogos sobre Segurança Pública, que foi realizado pela Secretaria Especial de Pol[iticas para as Mulheres com o apoio da UNIFEM, UNODC e UNFPA, nas cidades de Salvador, Recife e Canoa,s tivemos o símbolo da flor chorando. Uma chora lágrimas de sangue (Canoas), outra em Recife chora lágrimas negras e outra (Salvador) chora palavras de dor. A flor, um símbolo tão associado à mulher por todas as grandes cidades brasileiras, chora. Chora pelos nossos mortos pela violência que se multiplica sem parar. Continuamos acreditando que reprimir é a solução. As mães, avós, irmãs continuam vivendo carregando suas dores. Morrendo de medo que seus filhos cresçam, virem adolescentes e a vida os leve para a morte. Presisamos parar. Elas nos pedem isso. A vida, o respeito a ela, nos pede isso. Seremos capazes de construir uma cultura de paz? No link abaixo você pode ver filme que documentou o estudo.

( http://vids.mayspace.com/index.cfmfuseaction=vids.individual&videoid=62498179)







sábado, 10 de outubro de 2009

Um Sábado

Sempre penso. E hoje é sábado. Lembro da poesia de Vinícius. Por que hoje é sábado eu refilto. Penso que no mundo temos 22 milhões de pessoas passando fome. Tento pensar fora do número. Números não nos tocam. O que me tocam são as vozes, as imagens. Tento pensar que nesse momento, milhões de crianças estão com fome. Milhões de mães estão engolindo suas lágrimas, tentando suplantar e ter esperança na dor. Lembro dos Diálogos, Mulheres e Segurança Pública e me dou conta de que a dor esta aqui ,tão perto de nós...dando concretude à fome. As mulheres que conheci esse ano são heroínas na sua luta pela paz. Alimentam-se de coragem para seguir em frente. Sozinhas, quase sempre, ou com homens de passagem, cuidam desesperadas de seus filhos, muitas vezes sem saber como essa responsabilidade caiu em seus colos. Elas me ensinaram tanto! No meio de uma noite de sábado, com bolor na alma, por causa de muita chuva e umidade nesse outubro no Rio de Janeiro, fico pensando que saída podemos encontrar. Procuro isso por toda minha vida. Muitas mudanças aconteceram. Sou filha da ditadura. Vivi a morte de Vlado, meu cunhado ,como um ato imenso de violência. Assisto essas mudanças aspirando forte, para continuar com esperança. São lentas. Para uma vida, o tempo é pouco e longo ao mesmo tempo. A sensação é de um mergulho profundo, sem ar, e de repente se repensa e o ar retorna. É lento mesmo. É um movimento, um processo que para a civilização tem um tempo bom, mas para cada vida é um tempo que nos exige uma capacidade de paciência que nem sempre está disponível no nosso software. Fica uma exigência: que diminua a miséria humana. Ela inclui a nossa capacidade de conviver com tanta fome, com tanta gente que ainda não vive o nosso século...vivem ainda na idade média. Betinho me ensinou muitas coisas, mas o que sobra de mais fundamental é que compartilho com ele o pensamento: não há futuro para quem não guardar no coração a capacidade de se indginar.
Alguém pode sempre me perguntar, qual é a fonte de energia que me mantem ainda tão jovem na luta, na refexão e na ação, e eu sempre responderei que é o contraditório: a rebeldia e a paciência. Alguém, algum dia, sintetizou meu mapa astral : você é uma hippie ajuizada. Ri muito dessa definição, na época. Mas é isso: minha hippie e minha ajuizada tentam entender essa loucura que nós humanos fizemos com a terra, com os seres vivos, com nossa dignidade, nossos valores. E sigo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

RSE e a Mídia, é possível?

O encontro promovido pelo ETHOS aconteceu no auditório da ESPM Rio e foi muito interessante. Foi uma troca de perguntas entre jornalistas e assessores de imprensa de empresas. Podemos concluir que enfim todos eram jornalistas, apenas escolheram lados diferentes para desenvolver suas trilhas profissionais. E ainda assim a questão principal - é possível uma conversa produtiva? - fazia todo sentido. De um lado André Trigueiro, Amélia Gonzalez e Marcos Sá Correia. Do outro a Natura, a Alcoa e o Banco Itau. Fui correta na nominação, de um lado jornalistas do outro empresas representadas na figura de seus assessores de imprensa. Não houve desconforto e a conversa fluiu com transparência. Vou registrar algumas frases que devem permanecer para mais reflexões:
"No momento que a impresa entender que não existe perfeição não vai mais haver mocinho e bandido."
"Jornal é um ramo de negócio velho, lento, em decomposição. Migrou para a internet sem descobrir a maneira de ganhar dinheiro com isso."
"Sustentabilidade não tem que ser uma especialidade do jornalismo, tem que estar em tudo, é notícia em qualquer área, a qualquer momento. O esporte tem que se preocupar com o ambiental."
"A crise ambiental caminha depressa e a humanidade devagar".
"Ser sustentável não é dizer que agora estou escovando os dentes, mas que estou preocupado em ensinar outras pessoas a escovar os dentes." (essa seria a missão das empresas, e mais especificamente poderia ser um papel relevante para os bancos).
"Falo uma hora para o repórter e não sai uma linha, só o que as ONGs falaram. Preconceito com a fonte empresarial?"
"Os jornalistas conhecem muito pouco o ambiente empresarial." (de fato eles conhecem mais as empresas da Avenida Paulista, como eu chamo)
"Repórter é ignorante, tem o dever profissional de ser ignorante, tem que querer descobrir, quando entende do assunto, passa a ser especilista e vai ser colunista etc."
"Repórter trabalha sob pressão não tem tempo de digerir."
"Jornalistas tem medo de se aproximar de empresas...antes eram brindes incríveis, havia até a brincadeira que na economia contínuo era gorado!"
"A imprensa com a empresa funciona na base da apurrinhação , acaba ajudando a empresa a perceber suas imperfeições."
"O marketing é que complica...Atingiu o foot print...tá errado. Aí um engenheiro da empresa me ligou e disse, olha eu sei que não é isso...O grande desafio da sustentabilidade está nos engenheiros e banqueiros!"
"Natura e Real são exemplos de como ir construindo o caminho. O Real assume para quem empresta dinheiro. Discrimina clientes. Isso faz a diferença. O engenheiro pensa no custo/ benefício, ele pode fazer a conta da execução e manutenção e deixar claro o impacto."
"Os bancos são conservadores, a mudança tem que ser estrutural, não é fácil. "
"Tem que trabalhar o público interno, é uma mudança cultural que envolve mudar processos. "
Cursos na faculdade de comunicação sobre sustentabilidade? Teve o sim e o não. Como é transversal não devia estar em tudo? Mas ainda não está...talvez no momento ainda precise de forte impacto sobre os novos paradigmas."
"Trabalhar a complexidade, a diversidade, dar aos estudantes a dimensão do que está acontecendo hoje , o impacto que causamos com nossas formas de pensar. Sustentabilidade é uma palavra síntese, sinônimo de sobrevivência e equilíbrio. Precisamos disseminar os novos valores através dela."

Conclusão: A conversa não flui entre empresa e imprensa. Quem está do lado da empresa, conhece muito bem a imprensa, passou pela mesma escola que ensina a criticar, investigar, nunca acreditar. Na ponta está o diretor da empresa, quase sempre um engenheiro ou financeiro, ainda pouco convencido que pode dizer que errou, que anida não fez, que ainda não conseguiu preparar sua equipe para fazer, ou simplismente que não entende porque todos agora cobram dele essa tal de sustentabilidade...Afinal ele faz tudo que faz para dar lucro aos acionistas e ser uma empresa sustentável...

Assim caminharemos...limpando conceitos, permitindo falar e ouvir e entender que nada está pronto, tudo está imperfeito, passível de melhorar. Melhoria contínua é uma linguagem que a empresa entende...é isso precisamos melhorar sem parar, com determinação a nossa forma de viver num planeta ameaçado...enquanto há tempo.

Precisamos também "ensinar a escovar o dente"ou seja a viver com novos hábitos no novo tempo da civilização. O que fica claro é que todos nós, que trabalhamos com comunicação, seja no velho jornal, nas novas mídias, na divulgação das empresas, fazendo programas, filmes, propaganda, assessoria de imprensa, precisamos correr contra o tempo para conversar mais e perder menos tempo não nos entendendo, porque...falta pouco tempo para podermos olhar lá na frente e exergar nossa sobrevivência. Que venham mais e mais oportunidades de diálogos entre nós. Que possamos ser mais sinceros.

Os profissionais da Alcoa , Nemércio Nogueira, da Natura Rodolfo Gutilla e do Itau, Sonia Favareto minha solidareidade por estarem desempenhando o importante papel de ponte no mundo da imprensa e de farol para dentro das organizações.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Instituto Bola para Frente



Hoje foi um dia especial. Visitei o Instituto Bola para Frente para fazer a palestra de abertura da Meeting Responsabilidade Social que acontece pelo oitavo ano consecutivo. O tema esse ano foi o desenvolviemtno sustentável. O Instituto convida empresas e organizações para debater, refletir sobre como podemos avançar na construção de uma sociedade mais justa. No ano passado conheci o Instituto e fiquei encantada com o que encontrei. Primeiro conheci Jorginho e sua história. Ele nasceu ali em Guadalupe, a comunidade que nunca abandonou, mesmo depois de ter conquistado o mundo com seu futebol. Ele e Bebeto resolveram seguir o sonho. O projeto procura através do esporte desenvolver a cidadania, o protagonismo, marcando gols na conquista da auto estima de meninos e meninas sem oportunidades e sempre a mercê do tráfico de drogas e da exclusão. Existem muitos projetos semelhantes mas algo se passa ali de muito especial. Hoje acho que entendi. existe no ambiente do Bola para Frente HARMONIA, um ambiente de comprometimento de todos e todas que se vai encontrando. Caso eu tivesse que traduzir o Instituto numa imagem, num desenho, eu certamente criaria um grande sorriso em cima de cima de uma quadra. Foi uma alegria! Os meninos e meninas de todas as idades nos recebendo, a orquestra de instrumentos construídos a partir de material reciclado, o coral com meninas e meninos começando por cerca de 3, 4 anos de idade. A horta no jardim com flores com o patrocínio da Agristar, os investidores sociais misturados a profissionais de outras ONGs, tudo numa organização impecável. A palestra foi feliz, meu coração estava também sorrindo e dividindo o sonho com Jorginho: por que não um espaço como esse em cada comunidade? Por que não trabalhar no local? Deixei meu carinho para todas aquelas crianças e jovens que vi fazendo, vivendo a cidadania e a educação com uma visão global. Lembro no entanto que alguém precisou sonhar para que tudo isso virasse realidade. E claro contar com equipes competentes para fazer a gestão do sonho. Nós temos o hábito de perguntar: como vai você? Como vai a vida? Talvez a gente devesse perguntar: como vão seus sonhos?

Fime da Campanha TicTacTicTac


Sua assinatura vale um futuro!

sábado, 12 de setembro de 2009

Plataforma IBASE

Passei sexta e sábado num encontro que acontece a cada 3 anos, Plataforma IBASE. É uma oportunidade extraordinária de encontrar a cidadania ativa do Brasil, de vários países da América Latina e da Europa. O IBASE com sua dimensão internacional, foi um dos realizadores dos Foruns Mundias, consegue atrair para discussões qualificadas antropólogos, sociólogos, economistas, moradores de periferia onde atua, entre muitos outros, para discutir seu futuro como organização nesse complexo mundo atual. Temas como a sustentabilidade das ONGs, seu relacionamento com governos, empresas públicas e privadas, a autonomia, a mudança de foco de investimento das agências internacionais foram temas para muitos diálogos. A organização fundada por Betinho e que tantas constribuições deu ao país, e porque não dizer ao mundo, não tem medo de se olhar e propor a sua refundação. Um novo momento começa agora depois dos 3 dias de imersão com a participação de quase 100 pessoas. Foi relançado também os AMIGOS do IBASE um programa institucional que começa a trabalhar pela conquista da participação da sociedade na manutenção de instituições que estejam a serviço da nova civilização. Podemos construir um novo tempo de manutenção das organizações que trabalham para temas transformadores de nossa sociedade, onde cada um de nós dê força para o estudo, pesquisa ou desenvolvimento de projetos nos temas de nosso interesse. Ou seja, nós podemos ser cidadãos mais ativos. Quem quiser ser AMIGO DO IBASE entre no site, pesquise toda sua história e se precisar de ajuda fale com a gente aqui. Podemos fazer o novo mundo em cada ato nosso e podemos contribuir para organizações que possam multiplicar nossas ações e construir uma relação transparente com cada uma delas. Betinho sentiria muito orgulho dessa plataforma. foi lançado um DVD-Caminhos da Democracia -onde Betinho conta a história do Brasil de 1953 à 1993, produzido pelo Canal Imaginário e Via Forum, com o patrocínio da Petrobras. Você também pode adquirir o DVD enviando pedidos aqui no blog e estará ajudando na sua distribuição para escolas públicas do Rio de Janeiro.

domingo, 23 de agosto de 2009




Imagino que aqueles que me acompanham devem estar meio frustrados pela minha ausência. Vocês não se arrependerão por esperar. Esses últimos tempos foram muito intensos, onde a Rebouças trabalhou intensamente em projetos novos e desafiantes, que me ocuparam intensamente. Realizamos Diálogos em 7 cidades com as mulheres mais diversas que representaram a confecção de 7 relatórios de Registros e mais 7 de Análises. Além disso, construímos um relatório que consolidou a voz de mulheres sobre a violência pública nas 7 cidades. A riqueza do material é imensa e poderei estar divulgando para todos a partir do lançamento pela Ministra Nilcéa Freire na CONSEG, no próximo dia 29 de agosto. As mulheres foram ouvidas, no que já se configura uma nova metodologia da Rebouças, baseada nos Diálogos - Rede de Convivências de David Bohn. Aprendemos muito. Eu e mais 5 pesquisadoras ( Nídia Carvalho, Juliana Duarte, Sandra del Soldato, Ana Amélia Duarte, Luiz Gaulia) pudemos ouvir a histórias incríveis de mulheres protagonistas que venceram violências em suas infâncias, algumas que estão presas por crimes cometidos ou por decisões de não denunciar crimes de companheiros ou filhos. Aprendemos com mulheres que fizeram diferentes opções de gênero, com profissionais de sexo, com grávidas adolescentes, ou bisavós que viveram inúmeros momentos da vida nas cidades. Ricas e pobres. Moradoras das calçadas e prédios e das favelas. Conversamos também com professoras, delegadas, bombeiras, motoristas de ônibus, promotoras públicas, rapper, DJ, pedreiras entre muitas outras profissões que, além de contar suas histórias, fizeram um diagnóstico da violência em suas cidades e sugeriram novos olhares sobre Políticas Públicas para Segurança. Aprendi que David Bonh tem razão quando diz que dialogar pode mudar o mundo. Quase nunca a população é convocada, como protagonistas, para refletir e interferir na dura realidade de nossas vidas. Outros, que pouco conhecem a realidade de fato, pensam e agem por nós. As mulheres vivem a violência das cidades com muita dor e são impedidas de exercer sua essência: a proteção. As realidades em cada cidade são surpreendentes.
Aos poucos vou contar um pouco de tudo isso aqui...depois do dia 29.

A outra notícia é que a Rebouças está ajudando na parte de comunicação, da Campanha Internacional Tic Tac no Brasil, que vai marcar os 100 dias que nos separam da Conferência de Copenhague. Aí está a grande oportunidade de exercermos nossa capacidade de impedir que o fim de nossa civilização vá acontecendo pouco a pouco. Temos inúmeras informações da ciência e precisamos mudar nossa forma de viver. Cada um de nós pode fazer muito somado à compromissos assumidos pelos países, o que poderá acontecer em Copenhague. Leia abaixo o que é a campanha Tic Tac e veja como você poderá ajudar a todos nós. Também teremos várias notícias aqui sobre a campanha nos próximos 100 dias.
Como disse sumi um pouco, mas volto com muitas notícias daqui para frente. Aos que me seguem muita paz.

Acorda! Chegou a hora de salvar nosso futuro, e sua assinatura faz muita diferença.

De 7 a 18 de dezembro de 2009, lideranças de todo o planeta estarão reunidas em Copenhague para firmar acordos mundiais sobre a grave ameaça das mudanças climáticas. É inquestionável que este problema já está em curso, com efeitos dramáticos e potencialmente catastróficos para todos nós.
Ainda é tempo de evitar o pior, mas é preciso agir imediatamente! A transição para uma economia de baixo carbono pode trazer grandes benefícios, mas isso depende de como agirmos agora.
O Brasil tem papel fundamental nessa luta, já que é um líder nas negociações internacionais, mas também um dos maiores emissores mundiais de gases do efeito estufa. Mas sua postura ainda é tímida quando se trata de assumir decisões firmes e ousadas para sanar o problema. Falha também ao não dar o exemplo, colocando em prática no país, todo o discurso que apresenta no exterior.
Por isso nós, abaixo-assinados, reivindicamos que - além de implementar as necessárias políticas nacionais – as autoridades brasileiras assumam JÁ o compromisso de defender ativamente no plano internacional o avanço para um acordo climático global que possa, no mínimo:

Garantir que o aquecimento global ficará bem abaixo dos 2oC em relação à média histórica, estabelecendo metas e mecanismos para que, antes de 2020, comecem a decrescer as emissões globais de gases do efeito-estufa.
Reduzir as emissões dos países desenvolvidos em pelo menos 45% até 2020, frente aos níveis de 1990.
Estabelecer objetivos mensuráveis, verificáveis e reportáveis para redução substancial das emissões de países em desenvolvimento emergentes e em rápido crescimento econômico, viabilizados por medidas apropriadas a cada país.

Apresentar medidas concretas de mecanismos e compromissos de aportes financeiros, para apoiar países em desenvolvimento na estabilização e posterior redução de emissões, e na sua adaptação às mudanças climáticas.

Aprovar a criação de soluções e mecanismos de REDD (Reduções de Emissões Associadas ao Desmatamento e à Degradação Florestal), justos e aplicáveis a curto prazo.

Promover a sustentabilidade e dignidade do desenvolvimento humano e a integridade dos processos ecológicos, mediante a transformação da economia e o fortalecimento da democracia.