quinta-feira, 3 de maio de 2012

Evento aponta oportunidades para promoção da igualdade de gênero


Evento aponta oportunidades para promoção da igualdade de gênero

Com o objetivo de detectar oportunidades para a promoção da igualdade de gênero, cerca de 200 pessoas se reuniram durante a atividade paralela do 7º Congresso GIFE, “Construindo novas pontes: O Feminino, as questões de gênero e o investimento social privado”, que ocorreu no dia 27 de março. Agora, o Instituto Avon, Childhood Brasil, Fersol, Fundação Ford, Fundação Orsa, Fundo Elas, Instituto Lojas Renner e Instituto Walmart, que se uniram para promover o encontro, lançam a sistematização do debate que contou com lideranças nacionais e internacionais.
NA PARTE DA TARDE EU FACILITEI A CONVERSA COM O GRUPO BUSCANDO DEFINIR CAMINHOS FUTUROS PARA O INVESTIMENTO EM QUESTÕES DE GÊNERO E O RESULTADO FOI SURPREENDENTE. DIRETAMENTE DO NEWS LETTER DO GIFE.

Entre as sugestões propostas figuram o apoio a projetos focados na educação de meninos e na inclusão dos homens como agentes de transformação sociocultural. “O homem não é o inimigo da igualdade de gênero, mas fruto de um caldo de cultura calcado em clichês sobre o feminino e o masculino no qual todos nós estamos navegando”, afirmou Carlos Zuma, do Instituto Noos. Zuma participou da mesa Gênero e a Dimensão Masculina, uma das sete mesas temáticas em torno das quais se reuniram os participantes no período da tarde.


Ideias e oportunidades
Olga Corch, do Instituto Avon, abriu os trabalhos do período da tarde. Os participantes se reuniram em sete mesas para discutir e apresentar sugestões para o avanço da questão de gênero no país. Abaixo, algumas das conclusões do encontro:

• JOVEM – É preciso atrair o jovem para o trabalho de reflexão e ação sobre o tema e investir no protagonismo juvenil. Trocar o ‘legislar pelo jovem’ pelo ‘legislar COM ele’ e usar linguagens e meios de comunicação com os quais o jovem se identifique.

• RECONHECIMENTO – Criação de um selo de certificação a ser concedido a empresas que promovam a igualdade de gênero e os direitos humanos. A sociedade fiscaliza e contribui, dando visibilidade às empresas certificadas e não consumindo produtos e serviços das empresas sem selo.

• DESENVOLVIMENTO FEMININO – As empresas devem capacitar as mulheres como agentes impulsionadoras do desenvolvimento sustentável e usar sua capilaridade na multiplicação da mensagem do consumo sustentável. A cadeia de valor deve ser envolvida nesse esforço pela sustentabilidade e pelo desenvolvimento econômico da mulher.

• ESFORÇO COLETIVO – As empresas, tal como o Estado e o conjunto da sociedade, devem se mobilizar para resolver a principal equação impeditiva da igualdade de gênero: a mulher ainda acaba sendo a principal responsável pelo cuidado com os filhos, com a casa, com os enfermos. Só quando os homens também compartilharem essas tarefas, as mesmas condições estarão disponíveis para que homens e mulheres convivam nos mesmos espaços de poder.

• REFERÊNCIAS – Criação de um banco de dados com indicadores sobre os bons retornos do investimento em mulheres. Uma forma de prover as mulheres de autonomia financeira é capacitá-las a formatar projetos que as tornem empreendedoras, fornecendo a elas assessoria em todas as fases de formalização da nova empresa.

Todas essas reflexões serão encaminhadas ao grupo de organizações que promoveram o painel. A riqueza do que foi discutido no encontro passará a permear, a partir de agora, as discussões dos investidores sociais privados. A idéia é ampliar o leque de critérios disponíveis para a escolha de projetos a serem privilegiados com recursos.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Lúcidas reflexões. Vale a pena ler e passar algum tempinho longe do celular... Exercício para mente...

O papa e o marxismo

Frei Betto
Escritor e assessor de movimentos sociais
Adital
O papa Bento XVI tem razão: o marxismo não é mais útil. Sim, o marxismo conforme muitos na Igreja Católica o entendem: uma ideologia ateísta, que justificou os crimes de Stalin e as barbaridades da revolução cultural chinesa. Aceitar que o marxismo conforme a ótica de Ratzinger é o mesmo marxismo conforme a ótica de Marx seria como identificar catolicismo com Inquisição. Poder-se-ia dizer hoje: o catolicismo não é mais útil. Porque já não se justifica enviar mulheres tidas como bruxas à fogueira nem torturar suspeitos de heresia. Ora, felizmente o catolicismo não pode ser identificado com a Inquisição, nem com a pedofilia de padres e bispos.
Do mesmo modo, o marxismo não se confunde com os marxistas que o utilizaram para disseminar o medo, o terror, e sufocar a liberdade religiosa. Há que voltar a Marx para saber o que é marxismo; assim como há que retornar aos Evangelhos e a Jesus para saber o que é cristianismo, e a Francisco de Assis para saber o que é catolicismo.
Ao longo da história, em nome das mais belas palavras foram cometidos os mais horrendos crimes. Em nome da democracia, os EUA se apoderaram de Porto Rico e da base cubana de Guantánamo. Em nome do progresso, países da Europa Ocidental colonizaram povos africanos e deixaram ali um rastro de miséria. Em nome da liberdade, a rainha Vitória, do Reino Unido, promoveu na China a devastadora Guerra do Ópio. Em nome da paz, a Casa Branca cometeu o mais ousado e genocida ato terrorista de toda a história: as bombas atômicas sobre as populações de Hiroshima e Nagasaki. Em nome da liberdade, os EUA implantaram, em quase toda a América Latina, ditaduras sanguinárias ao longo de três décadas (1960-1980).
O marxismo é um método de análise da realidade. E, mais do que nunca, útil para se compreender a atual crise do capitalismo. O capitalismo, sim, já não é útil, pois promoveu a mais acentuada desigualdade social entre a população do mundo; apoderou-se de riquezas naturais de outros povos; desenvolveu sua face imperialista e monopolista; centrou o equilíbrio do mundo em arsenais nucleares; e disseminou a ideologia neoliberal, que reduz o ser humano a mero consumista submisso aos encantos da mercadoria.
Hoje, o capitalismo é hegemônico no mundo. E de 7 bilhões de pessoas que habitam o planeta, 4 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, e 1,2 bilhão padecem fome crônica. O capitalismo fracassou para 2/3 da humanidade que não têm acesso a uma vida digna. Onde o cristianismo e o marxismo falam em solidariedade, o capitalismo introduziu a competição; onde falam em cooperação, ele introduziu a concorrência; onde falam em respeito à soberania dos povos, ele introduziu a globocolonização.
A religião não é um método de análise da realidade. O marxismo não é uma religião. A luz que a fé projeta sobre a realidade é, queira ou não o Vaticano, sempre mediatizada por uma ideologia. A ideologia neoliberal, que identifica capitalismo e democracia, hoje impera na consciência de muitos cristãos e os impede de perceber que o capitalismo é intrinsecamente perverso. A Igreja Católica, muitas vezes, é conivente com o capitalismo porque este a cobre de privilégios e lhe franqueia uma liberdade que é negada, pela pobreza, a milhões de seres humanos.
Ora, já está provado que o capitalismo não assegura um futuro digno para a humanidade. Bento XVI o admitiu ao afirmar que devemos buscar novos modelos. O marxismo, ao analisar as contradições e insuficiências do capitalismo, nos abre uma porta de esperança a uma sociedade que os católicos, na celebração eucarística, caracterizam como o mundo em que todos haverão de "partilhar os bens da Terra e os frutos do trabalho humano". A isso Marx chamou de socialismo.
O arcebispo católico de Munique, Reinhard Marx lançou, em 2011, um livro intitulado O Capital – um legado a favor da humanidade. A capa contém as mesmas cores e fontes gráficas da primeira edição de O Capital, de Karl Marx, publicada em Hamburgo, em 1867."Marx não está morto e é preciso levá-lo a sério", disse o prelado por ocasião do lançamento da obra. "Há que se confrontar com a obra de Karl Marx, que nos ajuda a entender as teorias da acumulação capitalista e o mercantilismo. Isso não significa deixar-se atrair pelas aberrações e atrocidades cometidas em seu nome no século 20".
O autor do novo O Capital, nomeado cardeal por Bento XVI em novembro de 2010, qualifica de "sociais-éticos" os princípios defendidos em seu livro, critica o capitalismo neoliberal, qualifica a especulação de "selvagem" e "pecado", e advoga que a economia precisa ser redesenhada segundo normas éticas de uma nova ordem econômica e política."As regras do jogo devem ter qualidade ética. Nesse sentido, a doutrina social da Igreja é crítica frente ao capitalismo", afirma o arcebispo.
O livro se inicia com uma carta de Reinhard Marx a Karl Marx, a quem chama de "querido homônimo", falecido em 1883. Roga-lhe reconhecer agora seu equívoco quanto à inexistência de Deus. O que sugere, nas entrelinhas, que o autor do Manifesto Comunista se encontra entre os que, do outro lado da vida, desfrutam da visão beatífica de Deus.
[Escritor, autor do romance Um homem chamado Jesus (Rocco), entre outros livros -

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Boomerang - Acabou o ensaio! Começa 2012!

janeiro, fevereiro e março de 2012


Não tem como! O ano novo, de verdade, só começa depois do carnaval!


E guardamos as novidades para esse primeiro Boomerang de 2012, importante ano para a história da nossa civilização. De acordo com Zygmunt Bauman – sociólogo polonês, radicado na Inglaterra - estamos num “interregno” da história da humanidade; esta situação de “interregno” – exposta pelo historiador TITO LÍVIO, na Roma Antiga em seu livro “Ab Urbe Condita”; significa que “a antiga maneira de agir não funciona mais, mas novas maneiras de agir ainda não foram inventadas.”. De alguma forma podemos lembrar-nos de Frijot Capra com seu “Ponto de Mutação”, hexagrama do I Ching que traz uma mensagem auspiciosa de que quando chega a hora a transformação acontece.


Todos os dias identificamos pistas, sinais de que o parto do novo mundo está em processo. Os desafios são imensos, porque trata-se de inventarmos uma nova economia que respeitaria nosso patrimônio planetário, nossas verdadeiras riquezas e controlaria o desesperado consumo de nós mesmos.


Ano da Rio + 20!


A transformação da Oficina em Rebouças aconteceu exatamente no Aterro do Flamengo onde vivemos a Rio 92. Preparando a programação visual do Aterro descobrimos um poder da comunicação que ultrapassava a publicidade. Descobrimos as ONGs e suas causas e o papel de uma comunicação responsável, que educa e se compromete com o desenvolvimento humano.


Estamos abertos às novas descobertas que a Rio + 20 vai produzir no nosso trabalho. Já começamos o ano num novo e inspirador espaço. A Estrada das Canoas, à beira da floresta da Tijuca, a maior floresta urbana do mundo e não por acaso no Rio de Janeiro, a cidade com potencial para ser referência do novo mundo. De um mundo diverso, que pode recriar as formas de viver nas grandes cidades, que vai ser palco da Rio + 20 e das Olimpíadas de 2016. A cidade, que se transformando, pode ser um exemplo de transformação. Queremos viver intensamente esse desafio.
Assim a Rebouças passará esse ano a utilizar suas instalações como um ESPAÇO. Assim começamos naturalmente a chamar nosso lugar. Um ESPAÇO para descontração, descompressão, reflexão. Um espaço para aqueles que querem ser aprendizes desse novo tempo. Muitas novidades vão acontecer: Café com a Rebouças, atividade relâmpago anunciada no Facebook e Experiências de Aprendizagem. Em breve essas novidades chegarão a todos que convivem na nossa rede.

Nosso objetivo é que mesmo em outras cidades nossos amigos e parceiros possam participar e contribuir para muita reflexão e produção de conteúdo. Não dependemos mais de nada para avançar, esse é o presente da tecnologia. Não existe mais tempo, matéria ou espaço. Qualquer tempo é tempo, qualquer link é um espaço e matéria voa, é energia!

Assim propomos muita vida nesse ano de 2012. Que nós todos possamos viver esse interregno com muita criatividade e espírito de novos tempos! Precisamos mudar a economia, ter instituições (empresas também) que se comprometam, uma sociedade civil que perceba seu poder de escolhas, uma governança global. Nosso desafio é simples: democratizar o conhecimento, cuidar do meio ambiente, fortalecer as mulheres e as localidades, apostar na comunicação, cultura e cidadania. Não somos, possivelmente, suicidas como constata Andre Trigueiro. Às vésperas da ameaça saberemos reagir e manter nossa casa.

Estamos pouco a pouco fazendo o que por anos achei que seria impossível. Imagine que estamos descobrindo que podemos ter outro modelo de democracia, talvez a democracia representativa que tanto esforço nos custou, já está ficando para a história. A orgia do consumo, a publicidade do que não somos, ou não queremos mais ser, mudará? O poder e a política que andaram juntos, pediram o divórcio, e agora?

Vamos inventar o futuro?

2012 será o ano das perguntas, e elas sempre abrem portas! Vamos perguntar? Vamos conversar? A R&A será pouco confortável, apesar do seu espaço agradável, porque vamos perguntar e perguntar!


ESTAGIÁRIA

A R&A recebeu com enorme alegria a estagiária Rosa Silva, estudante de Mestrado em Comunicação Empresarial na ISCEM (Instituto Superior de Comunicação Empresarial) de Portugal. Rosa é angolana, estuda em Portugal e escolheu a Rebouças para vivenciar seu estágio com foco em Responsabilidade Social. Desde sua chegada em Janeiro tem entrado em contato com as metodologias e trabalhos desenvolvidos pela R&A, sendo apresentada por Nádia Rebouças ao vasto mundo da Comunicação para Transformação.

FURNAS

A R&A realizou em Fevereiro uma experiência de comunicação face a face com foco em Feedback e Avaliação de Desempenho em Furnas.
A ação educacional teve como objetivo sensibilizar os novos gerentes de Furnas sobre a importância do feedback e da boa comunicação com os empregados no ciclo de Avaliação de Desempenho 2012.
A R&A aplicou com adaptações, um curso específico criado há 5 anos para desenvolver a habilidade da conversa em liderança empresarial e a capacitação para feedback. A experiência foi muito interessante e produtiva com espaço para simulações a atividades lúdicas.

VALE

Foi concluída a Avaliação de Aderência à Marca da Vale para o ano de 2011. Nesse trabalho, realizado em parceira com a professora e consultora Maria Aparecida de Paula, uma avaliação pormenorizada dos processos e instrumentos de comunicação utilizados pela empresa ao longo do ano, construindo assim uma análise do posicionamento e aderência à marca Vale.

ILOS

Já está em fase preparatória a produção do evento ILOS+10, previsto para o início de Março.
O ILOS (Instituto de Logística e Supply Chain), com muito orgulho vivenciou um trabalho de reposicionamento há cerca de 3 anos. Como uma empresa jovem e dinâmica agora vai pensar no futuro e seus desafios para manter e consolidar o sucesso obtido até agora. Será uma oportunidade de refletir, discutir e trabalhar em grupo, num evento que promove a construção coletiva do futuro.

APOSVALE

Foi finalizada a pesquisa qualitativa - Offplan - realizada na APOSVALE (Associação dos Aposentados, Pensionistas e Empregados das Empresas Patrocinadoras da Valia) no final de 2011.
Este tipo de pesquisa se baseia na metodologia Offplan desenvolvida pela R&A, onde o input é a informação que se colhe dos discursos espontâneos dos participantes sobre o seu trabalho e a sua empresa.
Com os resultados do Offplan foi estruturado o questionário para a pesquisa quantitativa via internet - Offweb. Esses trabalhos vão nortear o desenho do planejamento estratégico e da comunicação da empresa que será construído coletivamente com a direção regional da Aposvale.

CCAA

Durante a criativa apresentação do Workplan CCAA realizada pela R&A, um grupo de colaboradores criou a música que se transformou no hino comemorativo dos 50 anos do CCAA. A apresentação contou com coral ensaiado e coreografado pelo próprio grupo.
A R&A apresentou o Plano Estratégico de Comunicação para o ano de 2012, que será implantado nos próximos meses.
Dia 15 de dezembro, na festa dos 50 anos do CCAA, Nádia fez uma palestra para a rede nacional de franquiados.

CAFÉ COM REBOUÇAS

Em breve realizaremos a primeira experiência "Café com Rebouças" no espaço Rebouças (sede da R&A) em São Conrado. A iniciativa é a primeira de várias que queremos realizar na nova casa da Rebouças, um espaço concebido para pensar e aprender a comunicação. Vamos receber convidados interessantes para falar de vários assuntos e os encontros serão abertos ao público, porém com número limitado de inscritos.

APRENDENDO A APRENDER

A R&A relança neste 1º semestre de 2012 o programa Aprendendo a Aprender, uma série de Experiências de aprendizagem com foco em COMUNICAÇÃO, Sutentabilidade e Responsabilidade Social.
O primeiro curso do ano, com o tema VISÃO GLOBAL EM COMUNICAÇÃO será um intensivo de 2 dias ministrado pela nossa diretora Nádia Rebouças e parceiros e está previsto para Março. As inscrições vão estar abertas a estudantes e profissionais da comunicação.
Recomendações Literárias:

Neste ano de crescimento e transformação a R&A tem o prazer de dividir dicas de livros inspiradores!
• Amor Líquido – Zygmunt Bauman
• O Mundo Sustentável 2 – André Trigueiro


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Pinheirinho, demonstração de humanidade?

Fica uma pergunta que não quer calar. Como exigir das empresas ética nas remoções, respeito humano e ambiental se os governos agem com a desumanidade que assistimos no Pinheirinho em São José dos Campos??

É possível que nesse momento do mundo ainda possamos assistir a esse teatro medieval? Que seres humanos somos nós? Fico espantada com acontecimentos como esse, que fazem com que tudo pareça sem sentido. Vejam o que é retirar pessoas das suas casas, brutalmente, provocar mortes, com crianças envolvidas?

Que seres humanos são esses que estão atrás desses atos? As vozes do mundo estão gritando e a mídia só fala timidamente do acontecido. Não é ela que diz que denuncia? Cadê a mídia que acusa imediatamente a empresa no Rio de Janeiro, a que mais perdeu empregados na última quarta feira, quando já aprendemos que em todos os acidentes normalmente não existe uma causa, mas um somatório de causas? O acidente do Rio de Janeiro foi rápido nas denúncias que se repetiram e repetiram, enquanto o desastre, que tem culpados evidentes em São José dos Campos, foi rapidamente esquecido!

Justiça social. Continua em falta no Brasil. Continuamos fingindo que somos um país fraterno. Continuamos fingindo responsabilidade social e ambiental. E vamos receber a Rio + 20.

Mas a internet não para. A denúncia em todo mundo está atuando e destruindo as grandes oportunidades que teríamos nesse momento brasileiro. Senhores, está na hora de assumirem que o mundo não e mais o mesmo! Agora, o mundo fala!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Boomerang de Dezembro

O poeta norte-americano Robert Creeley escreveu certa vez: “Sinto que quando as pessoas lêem meus poemas com mais simpatia, lêem comigo, assim como eu escrevo com elas. Desta forma, a comunicação é ‘sentimento compartilhado com outro’, e não ‘processo didático de informação’.”
(retirado do Prosa e Verso, caderno do jornal O Globo. Artigo de Carlito Azevedo sobre poemas de Wislawa Szymborska).

Fim de mais um ano. Como sempre hora de reflexão e balanço. Hora de pensar se estamos usando esse tempo de forma útil para nós e para o mundo. Não estou cheia de entusiasmo esse ano. Os aprendizados foram muitos, mas tudo que precisa ser transformado segue tão lentamente que o exercício da esperança fica dificultado. Temos inúmeras razões para comemorar um Brasil melhor economicamente, um Rio de Janeiro cheio de fatos novos, que apontam para novas possibilidades. Temos a Rio + 20, a Copa e as Olimpíadas. Temos inúmeros projetos pela frente. Mas todas essas oportunidades poderão deixar de ser aproveitadas pela incapacidade que temos de pensar sistemicamente. Minha preocupação central são as pessoas. Por isso trabalho com comunicação.

Recebo muitos e-mails de amigos, profissionais que assistem às minhas palestras identificando que o mundo corporativo andou para tendências que eu identificava há 20 anos. Isso não me envaidece, ao contrário mostra quanto tempo a consciência leva para chegar a construir uma massa crítica que pode efetivamente transformar a realidade. Eu e muitos outros identificávamos tendências como a necessidade da comunicação interna, a responsabilidade social empresarial entre muitas outras idéias que iriam ao longo desses anos conquistando espaço na nossa sociedade. Os jovens estão nas ruas, os profissionais de várias áreas estão aí insatisfeitos; que, claro, é o primeiro sentimento que pode levar às mudanças. No entanto ainda são iniciativas confusas e sofrem um impedimento constante daqueles que querem manter tudo como está, ou pior, avançar em modos de produção e de vida que já estão condenados.
Fico com as manifestações importantes das pequenas e persistentes mudanças. Foco nas transformações dentro das organizações. Elas têm um potencial essencial para construir o novo mundo. Temos novas lideranças espalhadas por várias organizações, mas poucas conscientes que se não transformarmos as pessoas pouco adianta interferir nas missões, visões ou falar nas entrevistas. Precisamos de líderes nas empresas e organizações que percebam e invistam com freqüência na educação de suas equipes para um novo tempo. Perseverança parece não conseguir se estabelecer nesse nosso mundo, e cismamos em acreditar que tempo não existe.
Muitos projetos começam, conquistam colaboradores, mas param. Aliás, uma das doenças atuais das organizações é a síndrome da entrega. Fiz, entreguei, construí o processo, o manual, o newsletter, ou seja, lá o que for, e pronto. Não existe ¨pronto¨ nos dias de hoje. A mudança de cultura esperada não se realiza rapidamente. Há uma absoluta necessidade de freqüência para que a transformação se operem. Cidadania não se conquista sem muito esforço, e estamos falando de cidadania dentro das empresas que precisam sair do estágio trabalho para o patamar serviço. Caso seja possível conseguir isso, trabalhar vai deixar de ser chato, perigoso, ou o que é pior doloroso.

Temos que investir em ambientes de trabalho realizadores. Temos que ter colaboradores conscientes e não meros fiscais no papel de líder. Precisamos compreender que somos gestores de vidas, de pessoas que podem ser felizes, dentro da empresa ou nas comunidades onde vivem. Profissionais que querem bônus não só financeiros, mas bônus para suas velhices orgulhosas de ter aproveitado a vida na sua totalidade. Com ética, percebendo o holístico, controlando suas vaidades, a competição; descobrindo a parceria; sendo capazes de construir coletivamente; aproveitando as metodologias que surgiram para fazer de suas aulas e reuniões a possibilidade de encontros vivos e realizadores.
Executivos odeiam reuniões. Até os que estão fazendo. Porque não mudar? Porque reclamar e esperar que o chefe acima mude, ou que apareça a fadinha da transformação? Porque não podemos ser protagonistas, em qualquer nível hierárquico onde estamos? Porque temos medo. Alguns tentam, a maioria, em algum momento, mas acabam aposentam suas pessoas muito antes da hora de se aposentar. Carregam suas vidas profissionais para poder ter alguns poderes de consumo para sua família ou para seu próprio ego. Assim vamos seguindo numa procissão de profissionais insatisfeitos, ou pior se enganando. Basta uma mínima oportunidade para falar com alguém confiável e o que aparece são rosários de dores. Potências perdidas. Perdas significativas para os negócios que ainda não conseguiram inventar indicadores seguros sobre os prejuízos da desmotivação e descompromisso no trabalho.

Eu acredito na comunicação e não na informação. Precisamos conseguir que profissionais de comunicação aproveitem, toda e qualquer oportunidade, para conquistar as pessoas, os profissionais como construtores conscientes do novo mundo. Somos nós que temos que construí-lo, ele não chegará por qualquer passe de mágica. É o líder que além da porta aberta, mudará sua face de porta, que vai conseguir ouvir, vai conseguir parar de correr para qualquer lado, a qualquer hora, sem se dar conta do tempo. É o colaborador, que de forma ativa vai falar, porque terá oportunidade de fazê-lo. Construções coletivas. Precisamos a cada momento oferecer chances de protagonismo.
Nesse sentido o trabalho desse ano foi muito gratificante. Confirmamos que juntos, debaixo de uma mesma marca, somos capazes de encontrar os novos desafios (esse é o primeiro passo) para depois encontrar soluções novas. Cansei de manuais, tabelas de Excel, processos engessados, onde todos reclamam de apenas gastar tempo preenchendo tabelas. Somos complexos, se não tocarmos nos processos afetivos, mesmo preenchendo tudo certinho, a transformação não acontecerá. Um líder me disse uma vez: "quando as coisas estão mal a gente inventa um processo..." Já pensou nisso? Caso eu não entenda racionalmente as razões, eu não descubra um motivo que me envolva para realizar algo, eu posso até fazer, mas não vou me comprometer.
O remédio para que as empresas ganhem eficiência é a comunicação que educa. Um colaborador protagonista, ainda mais considerando a potência que as tecnologias nos oferecem. Temos que vencer o medo. Preferimos mentir, não ouvir e cobramos ética em outro lugar. Deixar falar foi sempre motivo de medo. Afinal de algum lugar saiu: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Só que quem obedece hoje dentro da empresa, tem poder para desobedecer em algum lugar. Até o consumidor (que eu acho que não existe mais) não obedece, ou se conforma e tem feito muitas empresas investirem no novo.

Na segunda década do ano 2000, parece que está na hora de termos mais coragem. Temos tanta tecnologia, ela nos trás tantos novos conhecimentos, não seria óbvio nos permitir arriscar? Permitir novas formas de atuar?
Podemos fazer diferente. Podemos fazer mais.

domingo, 13 de novembro de 2011

Precisamos reconhecer a mudança!

Temos de fato muitos problemas! Mas tenho prazer em reconhecer até as pequenas mudanças...sem ter a ilusão que tudo mudou!

Quando vejo o não reconhecimento dos pequenos sinais de mudança, lembro sempre de Ken Wilber. Ele fala dos níveis de consciência da civilização humana e de como tudo segue num processo lento e difícil até chegarmos à visão integral.

Lembro também do Betinho, que quando eu me desesperava nas baixas da Ação da Cidadania, por exemplo quando a Globo não veiculou o filme sobre a terra, com Eva Vilma, inédito até hoje, e ele falava: "Até aqui fomos, agora chegamos no limite da consciência possível da maioria da sociedade!" Conseguimos com a campanha que a fome se tornasse um fato, não há dúvida que ela influenciou políticas públicas que hoje não resolveram, mas diminuiram a fome no país. Falar sobre a posse da terra ainda não era possível.

O político não mudou, mas vai mudando, a polícia não mudou, mas vai mudando, o jornalista não mudou, continua um instrumento mais de propaganda do que de conhecimento e reflexão, mas vai mudando...Assim percebemos que tudo está em movimento.

Eu não tenho de forma alguma o preconceito em comemorar as pequenas mudanças. Já aprendi que a transfromação é lenta e como observadora da realidade percebo os pequenos passos que temos dado. Na ocupação da Rocinha percebo sinais de maior transparência. No Borel, por exemplo, a "limpeza" do BOPE, antes da entrada da UPP, não foi anunciada...( as mulheres da comunidade contaram barbaridades, que espero não ocorram agora na Rocinha e Vidigal).

A polícia, pouco a pouco, também vai mudando. Nosso governador na entrevista conseguiu compartilhar e não respondeu perguntas técnicas, dando a quem entendia do assunto o direito de resposta. Para minha absoluta supresa se declarou GESTOR DE PESSOAS. Isso é tão novo no setor público quanto será para a população da Rocinha viver daqui para adiante.

Não será fácil, todas as doenças continuam ali, policiais corruptos, líderes negativos, gerações criadas sem educação e na violência, mas não acredito em mágica...acredito no trabalho duro, em planejamento, estratégias e numa atuação sistêmica.

Há indícios de avanços. Alguns olham sempre para o negativo, eu tenho a mania de perceber o positivo nascendo e acreditar nas pequenas mudanças, para poder seguir. Transformação... falar é uma coisa, fazer é outra. Quem faz sabe o quanto é difícil avançar com as enormes mazelas que criamos até nas formas de pensarmos. O importante é fazer e ir aprendendo todo dia.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Colômbia? Hoje é aqui!

Achoque há uns 3 ou 4 anos atrás, num Congresso do GIFE em Curitiba, eu e Bernardo Toro nos encontramos num bar. Fumávamos. Felizes. Conversamos sobre o trem, que uniria a América Latina! Alguém lá de baixo poderia namorar um brasileiropq o trem uniria todos os jovens...saí dali pensando o quanto desejei isso por toda minha vida...que a América Latina se olhasse e vivencisse sua territoriedade...Pois é ...não precisamos nem conquistar o trem, Shakira, no Rock in Rio trouxe a Colômbia, a Espanha mostrando que o local é global! Está aqui e agora o futuro! E como quase empre a cultura uni as almas! Sonho de Bernardo feito um trem de música! Som de almas!