quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Instituto Bola para Frente



Hoje foi um dia especial. Visitei o Instituto Bola para Frente para fazer a palestra de abertura da Meeting Responsabilidade Social que acontece pelo oitavo ano consecutivo. O tema esse ano foi o desenvolviemtno sustentável. O Instituto convida empresas e organizações para debater, refletir sobre como podemos avançar na construção de uma sociedade mais justa. No ano passado conheci o Instituto e fiquei encantada com o que encontrei. Primeiro conheci Jorginho e sua história. Ele nasceu ali em Guadalupe, a comunidade que nunca abandonou, mesmo depois de ter conquistado o mundo com seu futebol. Ele e Bebeto resolveram seguir o sonho. O projeto procura através do esporte desenvolver a cidadania, o protagonismo, marcando gols na conquista da auto estima de meninos e meninas sem oportunidades e sempre a mercê do tráfico de drogas e da exclusão. Existem muitos projetos semelhantes mas algo se passa ali de muito especial. Hoje acho que entendi. existe no ambiente do Bola para Frente HARMONIA, um ambiente de comprometimento de todos e todas que se vai encontrando. Caso eu tivesse que traduzir o Instituto numa imagem, num desenho, eu certamente criaria um grande sorriso em cima de cima de uma quadra. Foi uma alegria! Os meninos e meninas de todas as idades nos recebendo, a orquestra de instrumentos construídos a partir de material reciclado, o coral com meninas e meninos começando por cerca de 3, 4 anos de idade. A horta no jardim com flores com o patrocínio da Agristar, os investidores sociais misturados a profissionais de outras ONGs, tudo numa organização impecável. A palestra foi feliz, meu coração estava também sorrindo e dividindo o sonho com Jorginho: por que não um espaço como esse em cada comunidade? Por que não trabalhar no local? Deixei meu carinho para todas aquelas crianças e jovens que vi fazendo, vivendo a cidadania e a educação com uma visão global. Lembro no entanto que alguém precisou sonhar para que tudo isso virasse realidade. E claro contar com equipes competentes para fazer a gestão do sonho. Nós temos o hábito de perguntar: como vai você? Como vai a vida? Talvez a gente devesse perguntar: como vão seus sonhos?

Fime da Campanha TicTacTicTac


Sua assinatura vale um futuro!

sábado, 12 de setembro de 2009

Plataforma IBASE

Passei sexta e sábado num encontro que acontece a cada 3 anos, Plataforma IBASE. É uma oportunidade extraordinária de encontrar a cidadania ativa do Brasil, de vários países da América Latina e da Europa. O IBASE com sua dimensão internacional, foi um dos realizadores dos Foruns Mundias, consegue atrair para discussões qualificadas antropólogos, sociólogos, economistas, moradores de periferia onde atua, entre muitos outros, para discutir seu futuro como organização nesse complexo mundo atual. Temas como a sustentabilidade das ONGs, seu relacionamento com governos, empresas públicas e privadas, a autonomia, a mudança de foco de investimento das agências internacionais foram temas para muitos diálogos. A organização fundada por Betinho e que tantas constribuições deu ao país, e porque não dizer ao mundo, não tem medo de se olhar e propor a sua refundação. Um novo momento começa agora depois dos 3 dias de imersão com a participação de quase 100 pessoas. Foi relançado também os AMIGOS do IBASE um programa institucional que começa a trabalhar pela conquista da participação da sociedade na manutenção de instituições que estejam a serviço da nova civilização. Podemos construir um novo tempo de manutenção das organizações que trabalham para temas transformadores de nossa sociedade, onde cada um de nós dê força para o estudo, pesquisa ou desenvolvimento de projetos nos temas de nosso interesse. Ou seja, nós podemos ser cidadãos mais ativos. Quem quiser ser AMIGO DO IBASE entre no site, pesquise toda sua história e se precisar de ajuda fale com a gente aqui. Podemos fazer o novo mundo em cada ato nosso e podemos contribuir para organizações que possam multiplicar nossas ações e construir uma relação transparente com cada uma delas. Betinho sentiria muito orgulho dessa plataforma. foi lançado um DVD-Caminhos da Democracia -onde Betinho conta a história do Brasil de 1953 à 1993, produzido pelo Canal Imaginário e Via Forum, com o patrocínio da Petrobras. Você também pode adquirir o DVD enviando pedidos aqui no blog e estará ajudando na sua distribuição para escolas públicas do Rio de Janeiro.

domingo, 23 de agosto de 2009




Imagino que aqueles que me acompanham devem estar meio frustrados pela minha ausência. Vocês não se arrependerão por esperar. Esses últimos tempos foram muito intensos, onde a Rebouças trabalhou intensamente em projetos novos e desafiantes, que me ocuparam intensamente. Realizamos Diálogos em 7 cidades com as mulheres mais diversas que representaram a confecção de 7 relatórios de Registros e mais 7 de Análises. Além disso, construímos um relatório que consolidou a voz de mulheres sobre a violência pública nas 7 cidades. A riqueza do material é imensa e poderei estar divulgando para todos a partir do lançamento pela Ministra Nilcéa Freire na CONSEG, no próximo dia 29 de agosto. As mulheres foram ouvidas, no que já se configura uma nova metodologia da Rebouças, baseada nos Diálogos - Rede de Convivências de David Bohn. Aprendemos muito. Eu e mais 5 pesquisadoras ( Nídia Carvalho, Juliana Duarte, Sandra del Soldato, Ana Amélia Duarte, Luiz Gaulia) pudemos ouvir a histórias incríveis de mulheres protagonistas que venceram violências em suas infâncias, algumas que estão presas por crimes cometidos ou por decisões de não denunciar crimes de companheiros ou filhos. Aprendemos com mulheres que fizeram diferentes opções de gênero, com profissionais de sexo, com grávidas adolescentes, ou bisavós que viveram inúmeros momentos da vida nas cidades. Ricas e pobres. Moradoras das calçadas e prédios e das favelas. Conversamos também com professoras, delegadas, bombeiras, motoristas de ônibus, promotoras públicas, rapper, DJ, pedreiras entre muitas outras profissões que, além de contar suas histórias, fizeram um diagnóstico da violência em suas cidades e sugeriram novos olhares sobre Políticas Públicas para Segurança. Aprendi que David Bonh tem razão quando diz que dialogar pode mudar o mundo. Quase nunca a população é convocada, como protagonistas, para refletir e interferir na dura realidade de nossas vidas. Outros, que pouco conhecem a realidade de fato, pensam e agem por nós. As mulheres vivem a violência das cidades com muita dor e são impedidas de exercer sua essência: a proteção. As realidades em cada cidade são surpreendentes.
Aos poucos vou contar um pouco de tudo isso aqui...depois do dia 29.

A outra notícia é que a Rebouças está ajudando na parte de comunicação, da Campanha Internacional Tic Tac no Brasil, que vai marcar os 100 dias que nos separam da Conferência de Copenhague. Aí está a grande oportunidade de exercermos nossa capacidade de impedir que o fim de nossa civilização vá acontecendo pouco a pouco. Temos inúmeras informações da ciência e precisamos mudar nossa forma de viver. Cada um de nós pode fazer muito somado à compromissos assumidos pelos países, o que poderá acontecer em Copenhague. Leia abaixo o que é a campanha Tic Tac e veja como você poderá ajudar a todos nós. Também teremos várias notícias aqui sobre a campanha nos próximos 100 dias.
Como disse sumi um pouco, mas volto com muitas notícias daqui para frente. Aos que me seguem muita paz.

Acorda! Chegou a hora de salvar nosso futuro, e sua assinatura faz muita diferença.

De 7 a 18 de dezembro de 2009, lideranças de todo o planeta estarão reunidas em Copenhague para firmar acordos mundiais sobre a grave ameaça das mudanças climáticas. É inquestionável que este problema já está em curso, com efeitos dramáticos e potencialmente catastróficos para todos nós.
Ainda é tempo de evitar o pior, mas é preciso agir imediatamente! A transição para uma economia de baixo carbono pode trazer grandes benefícios, mas isso depende de como agirmos agora.
O Brasil tem papel fundamental nessa luta, já que é um líder nas negociações internacionais, mas também um dos maiores emissores mundiais de gases do efeito estufa. Mas sua postura ainda é tímida quando se trata de assumir decisões firmes e ousadas para sanar o problema. Falha também ao não dar o exemplo, colocando em prática no país, todo o discurso que apresenta no exterior.
Por isso nós, abaixo-assinados, reivindicamos que - além de implementar as necessárias políticas nacionais – as autoridades brasileiras assumam JÁ o compromisso de defender ativamente no plano internacional o avanço para um acordo climático global que possa, no mínimo:

Garantir que o aquecimento global ficará bem abaixo dos 2oC em relação à média histórica, estabelecendo metas e mecanismos para que, antes de 2020, comecem a decrescer as emissões globais de gases do efeito-estufa.
Reduzir as emissões dos países desenvolvidos em pelo menos 45% até 2020, frente aos níveis de 1990.
Estabelecer objetivos mensuráveis, verificáveis e reportáveis para redução substancial das emissões de países em desenvolvimento emergentes e em rápido crescimento econômico, viabilizados por medidas apropriadas a cada país.

Apresentar medidas concretas de mecanismos e compromissos de aportes financeiros, para apoiar países em desenvolvimento na estabilização e posterior redução de emissões, e na sua adaptação às mudanças climáticas.

Aprovar a criação de soluções e mecanismos de REDD (Reduções de Emissões Associadas ao Desmatamento e à Degradação Florestal), justos e aplicáveis a curto prazo.

Promover a sustentabilidade e dignidade do desenvolvimento humano e a integridade dos processos ecológicos, mediante a transformação da economia e o fortalecimento da democracia.


quarta-feira, 1 de julho de 2009

“Comunicação e sustentabilidade, o que uma coisa tem a ver com a outra?” é o título da minha palestra no III Fórum ABA Rio de Responsabilidade Socioambiental que acontece no dia 7 de julho, no Rio de Janeiro.

A resposta para ela está na base da metodologia que temos aplicado na R&A com clientes como mineradoras, indústrias químicas, cimenteiras ou mesmo ONGs e institutos de educação: o diálogo com públicos de interesse.

A instabilidade e a incerteza fazem parte do cenário atual. E é através da conversa bem posicionada e franca,que podemos construir relações verdadeiras, que nos ajudem, nos fortaleçam e nos capacitem a lidar com as infindáveis transformações do mundo moderno.

Sabemos que nosso conversar é determinado por medo, ansiedade e vergonha. Em nossa cultura, não são muito freqüentes as oportunidades de falar com liberdade e sinceridade. Essa situação poderá mudar de modo significativo quando conseguirmos transformar nossas conversas em trocas de intenções, em vez de continuar a fazer delas meios de ocultá-las.

Esse certamente é o maior desafio para as lideranças das organizações na atualidade. É preciso construir uma ética do dialogar, dar feedbacks e abrir portas para nos transformarmos e transformarmos o mundo. Sustentabilidade portanto, nessa cadeia de relações e conexões, necessita de comunicação, diálogo e abertura ao outro.

E você o que acha?

Consumidor?

Há cerca de uns 5 anos atrás eu estava preparando uma apresentação para um encontro do ETHOS, em São Paulo. O tema era “Balanço Social”. Era o começo do longo caminho para abandonar o tal do marketing social, que publicava books do Balanço Social, que se transformavam na peça mais importante para as empresas demonstrarem sua responsabilidade social. Minha preocupação era construir uma apresentação que demonstrasse que o Balanço Social não era uma “peça de marketing”, mas uma ferramenta que iria ajudar cada empresa a perceber como podia planejar suas conquistas para uma visão sustentável, tendo o balanço como instrumento de gestão mais consciente e responsável. De repente me deu um insight: “O que estaria no dicionário sobre a palavra consumidor?”. Eu, que durante anos na minha vida de publicitária, tinha repetido, escrito, propagado a palavra: CONSUMIDOR! Abri o dicionário e tive uma enorme surpresa! Consumir: gastar, extinguir, iludir, enganar, esgotar, destruir.

Fiquei perplexa por perceber que era tudo o que fizemos nos últimos tempos. Gastamos e extinguimos uma natureza exuberante que ganhamos de presente, desperdiçamos e jogamos fora nosso futuro, desperdiçamos milhões de vidas humanas no planeta, além dos animais. Consumimos. Sem parar. Inventamos desejos que nos enganam o tempo todo na ilusão da felicidade. Despertamos necessidades de consumo em milhões de pessoas, inclusive crianças e adolescentes, que não tem como atendê-los. Enchemos nossas cidades de violência. Pior que isso, chegamos a acreditar que estamos aqui para isso: consumir. Nossos adolescentes cortam os cabelos, desenhando a marca Nike nas cabeças, sem saber nem o que é, mas sabendo que é uma marca. E as marcas viraram valores, que muitas vezes justificam matar na esquina pelo tênis da moda. Fomos aprendendo gradativamente a valorizar as “coisas” e consumimos nossas vidas e esperanças num círculo insistente de violências.

Voltei para a apresentação e criei uma página onde coloco a palavra “consumir” e, em círculos, todos os significados que estavam no dicionário. Todas as vezes que mostrei essa apresentação pude perceber o efeito da mensagem. A seguir, sempre propunha a ressignificação do conceito consumidor: O INTERLOCUTOR.

A nova empresa, aquela que eu e muitos esperamos, vem descobrindo que deve matar o velho conceito de consumidor e começar a enxergar seus interlocutores.
E o que quer dizer interlocutor? O dicionário me respondeu mais uma vez: agregar, trocar, interagir, prover.

Foi um prazer ver que na última Conferência do ETHOS vários palestrantes decretaram o fim do consumidor. Não conseguiremos construir os novos tempos pensando igual e falando igual. A empresa que não descobrir que tem interlocutores, que entramos na era do diálogo, não terá um futuro promissor. Da mesma maneira, a velhíssima forma de pensar a comunicação no modelo emissor - receptor não faz hoje qualquer sentido. A comunicação circula, conversa, troca. A conversa gira em círculos, não mata, não aliena. Cria harmonia e respeito pela diferença. A tecnologia vem nos libertando do papel passivo de consumidores. Somos público, sim, mas de relacionamento. Quer conversar? Prepare-se para me ouvir. Eu estou podendo estabelecer limites e decidir como quero viver.

Por isso morreu também nesse ano, no ETHOS, o tal do público-alvo. É completamente natural que eu queira dar um tiro para transformar uma pessoa em consumidor. Um consumidor é sempre inconseqüente e inconsciente, por isso o tiro certeiro estudado até à exaustão pelas pesquisas de mercado. Inúmeros focus group foram realizados para descobrir como falar para que o alvo se torne público e deixe de existir como ser, virando consumidor.

Bem-vindos os interlocutores! Aqueles que lêem rótulos, notícias, escolhem origem e ingredientes, decidem o tempo de TV e o que seus filhos devem “consumir”. Conseguem, antes de pegar o cartão de crédito, pensar. Bem vindo o cidadão consciente, o prospect de interlocutor, que se nega ser um gastador, destruidor de tudo, especialmente de sua identidade.

Mudarão os planos de marketing. Será vergonhoso falar em público-alvo, assim como as empresas já estão mais cuidadosas ao falar em “comunidades do entorno”, porque começam a perceber que nessa simples definição estão esquecendo que a comunidade está ali, há tanto tempo, são a alma daquele território, eles é que estão chegando, como visita e precisam se apresentar como futuros vizinhos e pedir licença para entrar.

A forma como falamos ou escrevemos carrega significados. Só vamos construir uma nova civilização nos transformando, aprendendo e construindo os novos caminhos. E... rápido! Esse parece ser o recado que temos recebido.

Marketeiros e publicitários, os tempos ficarão mais desafiadores a partir dessa Conferência ETHOS 2009. Trabalhemos todos e todas para a conferência de 2010, que promete possibilidades de grandes novos avanços.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

GAP, sonho e esperança

Ontem o primeiro curso desenvolvido pela nova diretoria do GAP - Grupo de planejamento e atendimento do Rio de Janeiro - começou com a presença de 150 profissionais do mercado. O que sempre acreditei, estava ali confirmado: o mercado publicitário do Rio de Janeiro está vivo e cheio de vontade de estudar e se transformar. Meu velho sonho de grupo, de profissionais reunidos na busca de novas perspectivas estava ali vivo. A esperança fica por conta da descoberta do enorme potencial da comunicação e da capacidade que temos nessa cidade de reinventar. Vivi um mercado no Rio que durante anos optou por ficar no papel de vitima. Eram inúmeras reuniões para reclamações, desabafos, choradeira por um mercado que mudava para São Paulo, por clientes pouco profissionais, pelas pequenas verbas, universidades pouco voltadas para o mercado, suas necessidades e mais mil. Assisto agora a um grupo de jovens profissionais de planejamento e atendimento, liderados por Luciana Vasconi, que passam por cima das vítimas e saem como protagonistas de novos tempos para a comunicação no Rio de Janeiro. Não ficaram presos as dificuldades, mas saíram procurando o como não fazer tudo igual o tempo todo. Produziram entusiasmo e seriedade. Uma receita de sucesso que foi assistir no primeiro curso de Comunicação Digital, tema mais votado na pesquisa realizada com profissionais e empresários da propaganda. Assim nasce o grupo que criará uma regularidade na troca, no diálogo, no aprendizado, na discussão dos novos tempos para a comunicação. O GAP RJ em breve estará também atraindo os profissionais das áreas corporativas dos clientes que são planejamento e atendimento quando tem o desafio de levar a comunicação para seu devido lugar: estratégia para as empresas que terão que ter uma marca para o futuro. É possível fazer diferente. Só a gente faz diferente. Acesse o site http://www.gaprj.com.br/ e se informe sobre os novos cursos. Vem muito mais por aí. Entre no novo espírito do mercado. Vamos trabalhar com a comunicação que vai criar a transformação dos mercados e fazer do Rio de Janeiro a cidade da sustentabilidade, papel que lhe está reservado.