sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Economia verde e inclusiva

Participei e acho fundamental prestar atenção nos desdobramentos desse encontro. Foi a primeira vez que vi as diversas tribos dialogando sobre esse que é o desafio claro para construção do futuro: economia verde e inclusiva.

Realizado Seminário sobre Economia Verde e Rio+20: Ocorreu em São Paulo nos dias 11 e 12 de novembro o Seminário "Diálogos Nacionais - Rumo à Rio+20" sobre Economia Verde, que contou com a participação ativa de mais de 120 representantes de entidades de todo o país, vindos dos mais diversos setores e regiões. A reunião de públicos altamente diversificados foi um dos pontos altos da reunião, que teve como objetivo mapear as questões e iniciativas brasileiras relacionadas ao tema "economia verde e inclusiva". Com isso, foi lançando um processo de articulação e debate cooperativo, visando a construção de propostas conjuntas sobre esse tema fundamental para as questões do clima, e que é um dos eixos centrais da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável que ocorrerá em 2012 (Rio+20). O evento é parte de uma iniciativa global da Green Economy Coalition, e foi realizado pelo Vitae Civilis em conjunto com o PNUMA e o IIED, de Londres, com apoio de um grupo expressivo de parceiros e patrocinadores. www.greeneconomy.org.br

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Conhecendo a Amazônia

Conhecendo a Amazônia por Henrique Alexandre no Mercado Ético

"Aos 16 anos fui com meu irmão mais velho, o Jobe, e suas filhas, Ana Carolina e Fernanda, passar umas férias em Mato Grosso. Aquela era a primeira vez que seguia para o centro oeste do país.
Fomos de avião até Cuiabá e depois embarcarmos num pequeno avião - juro que do tamanho de um fusca - em direção à fazenda Agrossan, a 700 km da capital do estado.
Me lembro da mágica visão de sobrevoar a floresta. Aquela imensidão natural vista lá do alto, mais parecia um enorme e interminável tapete verde que se estendia até onde a vista podia alcançar".

Nádia não resistiu e comentou:

Henrique, lendo seus comentários não pude deixar de lembrar da menina de 17 anos que pela primeira vez saia de São Paulo, do tormentoso cimento, que na época era bem menor do que hoje, dentro de um avião da VASP em direção à Manaus e que de "queixo caído" viu o tapete verde encantador. Depois disso tive muita oportunidades de estar perto da floresta, de entrar nela, sentir seu cheiro e perceber o fluxo da vida. Nada como uma chuva na Amazônia!

No entanto a vida ainda me reservava mais uma delícia.Um avião pequeno, daqueles que voam baixinho, me levou há 2 anos de Belém ao Amapá. Voei como um passáro, podendo quase entrar pelo verde todo, que encheu meus olhos até o pulmão! Tudo seria só magia se eu não me deparasse com enormes áreas com EUCALIPITOS que mostraram o absurdo que já fizemos no passado, quando não percebíamos a vida na vida! Acho que ver e sentir a floresta nos muda para sempre e talvez exista espaço para um projeto ambiental simples; levar pessoas dos grandes centros para ver a floresta e perceber o serviço que ela nos presta! Sentar debaixo de uma Samaúma e poder trabalhar para nova consciência. Obrigada por ter me lembrado de tudo isso na correria dos dias!

sábado, 20 de novembro de 2010

Onde você guarda seu racismo?

Hoje é dia de fazer essa pergunta, para podermos continuar. Aprendi que o racismo no nosso país e no mundo está disfarçado, camuflado, guardado. Quando fazia essa pergunta as pessoas, invariavelmente, o olhar ficava perdido, longe, e antes de responder as pessoas pensavam. Pensar é muito bom. Na maioria das vezes é o que deixamos de fazer. Surpreende porque é exatamente o que nos torna humanos. Quão distante estamos de ser humanos nesse tempo da pressa, do agito, do não ter tempo e espaço para a conversa e a reflexão. Repito e repetirei por muitos e muitos anos: Onde você guarda seu racismo? Criei essa pergunta e com profunda humildade repito para mim mesma, todos os dias, já que sei que guardamos, guardamos. É tempo de percebermos o quanto viver as diferenças nos é difícil. O quanto abrir a porta de nossa "elite" é custoso.
Bons avanços para você!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Investindo em um futuro mais justo

É visível a transformação que acontece na Comunicação do Solar Meninos de Luz. Dá gosto de ver os ex-alunos se reencontrando e contagiando os jovens com suas histórias de sucesso. A Escola de Pais e muitos eventos levam esperança em um futuro de muitas possibilidades para os alunos e para as comunidades que cercam uma escola que investe na educação integral do berçário à formação profissional.

A Rebouças & Associados e a equipe do Solar construíram, em julho deste ano, um Planejamento Estratégico de Comunicação, com base na metodologia Workplan, que promove a elaboração participativa de planejamentos. Várias ideias surgiram nos grupos para os projetos educacionais. Elas indicam a vontade dos participantes de terem novidades, atividades de diversão ou de intensa participação dos jovens construindo o ambiente do Solar.

Essa transformação está sendo feita pelos colaboradores, alunos, parceiros e voluntários. Visite o site do Solar e acompanhe muitas ações inspiradoras.Lá você encontrará formas de participar.

O Solar Meninos de Luz é uma organização civil, filantrópica, em funcionamento desde agosto de 1991. Promove educação formal e complementar em regime integral, cultura, esportes e cuidados básicos de saúde nas comunidades do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Uma visão sobre o drama dos mineiros

No artigo “Mineiros, heróis para sempre!”, publicado na revista Plurale, de 27 de outubro, Nádia Rebouças fala dos desafios vividos pelos profissionais no Chile. A consultora trabalha no ramo de mineração há anos, tendo a oportunidade de visitar uma mina subterrânea. Embarque nesta história e conheça um pouco mais sobre a rotina destes profissionais.

Leia o artigo na Revista Plurale.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Investindo nas mulheres


O projeto Elas em Movimento chegou às comunidades do Borel, Formiga, Chácara do Céu e Cruz. Mulheres empreendedoras participaram dos Diálogos para Melhoria das Condições de Vida, facilitado por Nádia Rebouças. O evento, ocorrido nos dias 23 e 24 de outubro, teve a função de auxiliar as empreendedoras na concepção de ideias de negócios que serão lapidadas durante a capacitação ministrada pelo ELAS – Fundo de Investimento Social, realizador do Projeto.

O Elas em Movimento tem o patrocínio da petrolífera Chevron, que decidiu investir em mulheres de comunidades com Unidades de Polícia Pacificadora. Os projetos de negócios são construídos pelas próprias mulheres e um deles é implementado nas comunidades de origem.As primeiras localidades foram Jardim Batan e Cidade de Deus.

O primeiro empreendimento foi inaugurado no Jardim Batan (foto). Trata-se do Sabor e Arte – restaurante e delivery. Na Cidade de Deus, as participantes passam por uma capacitação, etapa que será iniciada pelo novo grupo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Dica de leitura



Para os que se interessam pelos temas relacionados aos direitos da criança e do adolescente, vale a pena ler o livro Estatuto da Criança e do Adolescente: estudos em comemoração aos 20 anos. A obra é organizado pelas professoras Andrea Boari Caraciola, Ana Claudia Pompeu Torezan Andreucci e Aline da Silva Freitas e publicado pela Editora LTr.

O prefácio é de Gabriel Chalita e reúne o pensamento de dezenas de autores sobre os diversos aspectos da proteção à criança e ao adolescente brasileiros emanados da Lei nº 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente).

O que a diferencia da maior parte dos estudos sobre a temática é a perspectiva crítica com que os artigos são desenvolvidos, ao demonstrar os aspectos em que a referida lei efetivamente avançou e conseguiu acelerar mudanças importantes na realidade nacional, e outros em que ainda existe demasiado distanciamento entre os comandos legais e a vida social.

O livro objetiva realizar um balanço das duas décadas de vigência do Estatuto da Criança e do Adolescente e sensibilizar a sociedade para temas ainda não legislados e que precisam passar a merecer atenção especial. Busca, assim, contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e equânime e, por isso tudo, merece ter seu lançamento prestigiado.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Portadores de Vozes


Escrever sobre os “porta-vozes” está na minha cabeça certamente há mais de um mês. Ouvi essa expressão de uma consultora que é minha companheira de caminho nos últimos anos­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­, Maria Aparecida de Paula. Ela é Professora da PUC de Minas Gerais, além de consultora. Desde que nos conhecemos, nos perdemos em trabalhos comuns. Cida, como todas nós que a chamamos, é mulher pequena, sempre montada no salto alto que percorre os aeroportos de todo o Brasil. De norte a sul, muitas empresas conhecem sua dedicação, sua capacidade de estruturar e focar em cada trabalho de comunicação que realiza. É uma fera, doce fera, em planejamento de comunicação.

Num trabalho conjunto, de repente escuto Cida falar:

“Nós comunicadores de fato, somos porta- vozes”.

Uma única frase perdida no meio de um dia de intenso trabalho sobre como planejar envolve escolhas, a visão estratégica para chegar lá, onde queremos chegar. Eu, que sou boa ouvinte, percebi o que ela queria dizer e em sucessivas sinapses, entendi tudo o que estava contido na expressão.

Cida não é uma mulher que só lê ou escreve sobre comunicação. Ela adora Guimarães Rosa! Por isso não é tão simples tê-la como consultora. Ela é daquelas professoras mais que consultoras, que trás literatura, a poesia, a magia das palavras para a vida de todos nós que trabalhamos com comunicação. E foi assim que os “porta-vozes” entraram na minha mente e eu pude consolidar a ideia de que, nós comunicadores, temos o difícil desafio de sermos observadores. Não podemos nos misturar aos colaboradores da organização. Precisamos olhar de fora, manter o nosso sentimento linkado “neles”, nos vários grupos nos quais uma empresa se divide. Sentir e entender o sentimento do empregado administrativo (dos quais fazemos parte), dos técnicos, dos operários e do operário de turno. Da liderança, cujo papel estratégico na comunicação, cada vez fica mais evidente.

O público interno não é igual. Não são iguais a condição de vida, a gratificação, a percepção. É diferente a expectativa, a forma de pensar, se emocionar. Aí entra a nossa capacidade de sermos “portadores de vozes”. Percebem o desafio? Não sentir por você, não pensar só por você, ou sua área. Não julgar. Perceber por todos e todas, sermos capazes de ouvir, de olhar, de enxergar a organização. Só assim o planejamento, as escolhas estratégicas poderão realmente alcançar eficiência.

Como é difícil ser um educador organizacional! Como cada um de nós tem que estudar, trabalhar a si mesmo, na busca do amadurecimento pessoal! Quantos Guimarães Rosa, entre muitas outras leituras e reflexões, são necessários para formar bons comunicadores!

Talvez seja fundamental averiguar seu desejo ou aptidão para se tornar “portador de vozes” na hora de escolher a profissão.

Cida é uma “portadora de vozes” de todos nós comunicadores. Precisamos trabalhar intensamente nossa capacidade de sair do eu, do egocentrismo, para cumprir nossa missão. O ator vive vários personagens e com isso reflete sobre sua condição de ser. Será que nós planejadores de uma comunicação realmente estratégica e voltada para a educação e o desenvolvimento humano não temos também desafios parecidos?

Os quatro quadrantes de Ken Wilber talvez ofereçam uma bússola para nosso aperfeiçoamento profissional. Não dá para OUVIR outros quando não encontramos tempo nem para ouvir a nós mesmos. David Bohm, um físico que se dedicou a refletir sobre a importância da comunicação, nos pede para nos dedicarmos a aprender a “colher com os ouvidos e colher com os olhos” para poder realmente construir uma comunicação transformadora. Consciente.

Percebo que quanto mais a tecnologia avança na comunicação, mais o desafio é conquistar a comunicação face a face. Não é esse o desafio da sua empresa? Ou na pesquisa de clima o feedback é bem avaliado? Ou você não percebeu que na área de comunicação temos o grande desafio de conquistar a liderança para a importância da comunicação, para que a empresa viva sua identidade a comunicação flua e o resultado seja a eficiência e a felicidade profissional?

Que surpresa para os “operacionais” da comunicação. Para aqueles que ainda pensam em ações engessadas, ou acreditam que é possível “vender” a organização para colaboradores num mundo de comunicação instantânea. Uma eficiente comunicação interna e com os stakeholders vizinhos, precisa muito mais do que veículos, campanhas, banners, jornal mural ou blogs e Twitter!

Precisamos conquistar a capacidade de nos ouvir, de ouvir e conquistar a mente e o coração das lideranças, ouvir de fato nossos públicos de relacionamento, sentir e entender que a comunicação é missão de todos e que acontece numa espiral dinâmica, sempre em movimento. Somos orquestradores, maestros. Assim nosso trabalho ganha a dimensão da educação.

Estamos num novo tempo. Somos “portadores de vozes” e elas nos dizem que precisamos urgente construir novos ambientes empresariais. Obrigada, Cida!, “Portadora de vozes” dos novos tempos.


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Responsabilidade Social na indústria: Novos parâmetros e tecnologias

Nádia Rebouças realiza palestra sobre o papel e a responsabilidade dos atores sociais, no painel Desafios sociambientais, ao lado do Professor José Eli da Veiga (USP). A moderação é de Márcia Cauduro (TBG).

O Seminário de Responsabilidade Social Corporativa: Desenvolvimento Sustentável e a Indústria Brasileira de Petróleo e Gás, organizado pelo IBP, ocorre no dia 06 de outubro, na Firjan.

domingo, 3 de outubro de 2010

Geração M no Unomarketing

Ao lado de José Carlos Duarte da (Chief Technologist Officer da IBM Brasil), Rodrigo Bandeira, idealizador do Cidade Democrática, Peter Milko, editor da Horizonte e Luiz Bouabci, da Mob Consult, Nádia Rebouças participou do painel Geração M: novos paradigmas de mobilização para a transformação, realizado no dia 29 de setembro, no Seminário Unomarketing – Comunicação Consciente - SP.

O termo Geração M se refere “a pessoas que, independente da idade – ou da relação com as gerações X e Y – mobilizam e interagem em favor da transformação da sociedade e também dos conceitos que definem a sociedade”.

Nádia Rebouças considera os participantes dessa geração como múltiplos e a chama de Geração Mais. “Às vezes confundimos conteúdo com ferramentas, mas nossos desejos não são de ferramentas, e sim de consciência”, conta. Falou ainda sobre os desafios da web: “não damos conta do volume de informações estamos numa espiral de complexidade, é uma nova civilização”.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Entrevista ao Portal Puc-Rio Digital

Nádia Rebouças fala para comunidade acadêmica da PUC-Rio, durante a Semana da Publicidade.

Assista à matéria do Portal Puc-Rio Digital:

http://puc-riodigital.com.puc-rio.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?tpl=view_televisao&sid=58&infoid=7932&regi=1

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dois eventos no dia 24 de setembro

Curso de Educação Médica – Administração e Ética – Rio de Janeiro - Nádia fala da importância do diálogo para médicos, durante o curso de Educação Médica – Administração e Ética. O evento ocorre no auditório do CREMERJ, no bairro de Botafogo.


IX Seminário Nacional de Comunicação Social e Marketing para Instituições de Desenvolvimento – ABDE – Rio de Janeiro - Palestra sobre Planejamento Estratégico e conduzirá uma dinâmica com o grupo. O objetivo é facilitar a criação de um Plano de Comunicação Integrado do Sistema Nacional de Fomento. Local: Leme Othon Palace Hotel.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Nádia Rebouças no 42º Encontro Aberje Rio


Palestra sobre Comunicação e Sustentabilidade. Nádia Rebouças compartilha seu conhecimento em duas áreas de atuação da Rebouças & Associados, que realiza diagnósticos, workshops e experiências de aprendizagem em empresas, organizações do terceiro setor e governo.

Data: 30/08/2010.
Horário: 10h às 12h.
Local: Auditório da Universidade Estácio de Sá, no Centro – RJ.
Av. Presidente Vargas, 642 (esquina com Uruguaiana).

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Livro na Feira de Frankfurt


“Mulher, sociedade e direitos humanos”, da Editora Rideel, está na Feira de Frankfurt. Nádia Rebouças e outras 35 autoras escrevem sobre família, cidadania, trabalho educação, direito, políticas públicas e outros temas abordados sob a ótica de mulheres bem sucedidas em suas áreas de conhecimento.

O lançamento é no próximo dia 26 de agosto, às 18h, na Universidade Presbiteriana Mackenzie – Rua Itambé, 45 – Consolação – São Paulo.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Leitura obrigatória sobre mulher e sociedade

A Rebouças & Associados convida para o lançamento do livro “Mulher, sociedade e direitos humanos”, organizado por Patrícia Tuma Martins Bertolin e Ana Claudia Pompeu Torezan Andreucci, da Editora Rideel.
A obra contém textos de 36 autoras, incluindo Nádia Rebouças, sobre família, cidadania, trabalho educação, direito, políticas públicas e outros temas abordados sob a ótica de mulheres bem sucedidas em suas áreas de conhecimento.
O livro é uma homenagem à Professora Esther de Figueiredo Ferraz.

Evento de lançamento:
Data: 26 de agosto de 2010.
Local: Universidade Presbiteriana Mackenzie – Rua Itambé, 45 – Consolação – São Paulo.
Horário: 18h.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

DESAFIOS DO PLANEJAMENTO

Antes de falar em planejamento prefiro pensar no que significa uma atitude de planejamento.

Quem gosta de planejamento?

A última gaveta das mesas, as pastas de arquivo nos computadores costumam sempre guardar um ou alguns. Às vezes, eles também estão ao lado de pesquisas.

Normalmente, ele é feito por poucos, que se sentem revestidos de poderes, e avaliado por muitos. Não raro, vira competição entre egos. Na maioria das vezes nos são impostos, como no caso dos planos econômicos. Na prática, os planejadores esquecem que fazer planos é o de menos, o mais difícil é criar as condições para que eles sejam executados.

Planejamento pode ser visto também como enrolação: muito papel, tabela e pouca ousadia de novas proposições. Na nossa profissão, muitas vezes o planejamento é feito para justificar caminhos criativos ou... para ganhar concorrências.

Planejamento para mim sempre foi uma coisa diferente. Muito mais do que uma técnica, ele fascina por instrumentar o meu pensar. É uma atitude decidida frente à vida, permite pensar estrategicamente para viabilizar ações que transformem alguma realidade. Mais do que fazer planejamentos, o excitante é implementá-los.

Podemos pensar e planejar ações de comunicação frente a problemas econômicos, problemas de uma cidade, de um serviço ou produto ou de uma empresa. Mudamos ideias e culturas utilizando a comunicação para dar significados.

Planejamento torna nossas ações conscientes e consistentes. É meio como deixar de ser “pau de correnteza”, que fica batendo sem controle nas margens de um rio, para tornar os processos conscientes, ter informação e, a partir daí, estabelecer objetivos e estratégias. Através do processo de planejamento percebemos, inclusive, se nossos objetivos, ou os de nossos clientes, são viáveis.

Planejamento é diagnóstico, levantamento de hipóteses, sondagem e ousadia na busca de soluções.

Não é qualquer pessoa que pode se tornar um bom planejador. Para planejar é necessário ser um pouco detetive, ser muito curioso, querer entender como as coisas funcionam. Ser preconceituoso é incompatível.

Especialmente na nossa profissão, é necessário ser meio “ator”, ter a capacidade de sentir a emoção de um jovem quando vai comprar seu primeiro carro, ou as emoções e razões que levam diferentes mulheres a uma loja de lingerie. Precisamos, às vezes, ser tão versáteis que conseguimos perceber os motivos que levam um fazendeiro a escolher uma marca de trator. Claro que quando falamos de comunicação interna significa ter a capacidade de pensar e sentir como um trabalhador de turno, da área administrativa, do corporativo ou mesmo de uma área específica de negócio.

Nós, profissionais de comunicação, precisamos nos sentir inteiros: razão, emoção, sensação. Precisamos também ser especialistas em frustração e aspiração para poder perceber o movimento dos indivíduos na sua dança como interlocutores.

Somos todos compradores de produtos, de serviços, de ideias ou de candidatos. Junto com produtos ou ideias, vendemos e compramos sonhos, estilos de vida, comportamentos, valores. Não inventamos nada, mas com nossa arma, a comunicação, fazemos a diferença.

As metodologias de planejamento variam, mas o essencial é o conceito, que envolve pensamento, análise e sempre criatividade.

Não é uma atividade para se fazer sozinho, porque o primeiro passo de qualquer plano é, através de estratégias, conseguir que ele seja executado. Um planejamento só terá sucesso se muitos se sentirem donos dele. O planejador desenrola um novelo embaralhado e enrola de novo. Só aí ele sabe exatamente onde está a ponta de cada uma das extremidades.

Em primeiro lugar, precisa ficar claro que aqui vamos falar de planejamento de comunicação. Traduzindo: vamos usar a comunicação para fazer “mercado”. Fazemos “mercado” para idéias, valores. A comunicação não é a única ferramenta do marketing, mas é a que dá vida a ele.

Quando fazemos alguma coisa pela primeira vez, precisamos de esquemas, como quando aprendemos a dirigir ou a usar o computador. Decoramos os pedais e botões, depois fica automático. Conseguir ter uma atitude de planejamento é descobrir as delícias do pensamento estratégico.


No início, precisamos prestar atenção, apreender alguns procedimentos. Depois é só prazer! Descobrir soluções, saídas, tem até sabor!


1. OLHAR O PROBLEMA COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ.
COLHER INFORMAÇÕES.

Parece simples, mas perguntar também tem arte. Você pode sair de uma reunião com o planejamento pronto se você souber o que perguntar, para quem perguntar.

O cliente pode passar um brief e você ficar satisfeito com isso. Ou, pode ser muito curioso e mergulhar nas questões. Não podemos mudar o preço, a distribuição ou o nome do produto de imediato, mas entender tudo que acontece pode lhe dar dicas preciosas sobre como usar a comunicação para resolver o problema. Está certo, o cliente só está pedindo um banner, mas essa é a sua chance.

É fundamental que você não se contente com as informações dadas pelo cliente, mas que você busque dados, desenhe os públicos de relacionamento, descubra o que eles pensam sobre o tema, descubra as segmentações internas. No caso de um produto, vá à loja ou ao supermercado, olhe com a cabeça aberta. Fale com os empregados da empresa, fique no telemarketing por uma hora, vá até o ponto de ônibus das áreas operacionais. Comece a “colher” com os olhos e ouvidos, como nos sugere David Bohm. Seja um observador. Não tem verba para pesquisa com o público? Sem problema, você vai achar o interlocutor e vai desenvolver sua capacidade de observar pensamentos, sentimentos e atitudes. Você poderá ter números, mas poderá abrir sua cabeça para pensar e, de repente, num “insight”, você vê o problema de outra maneira.

Uma vez passei um briefing para a criação em uma frase: “O problema do chá é conseguir tirá-lo do armário”. O problema não era fazer o consumidor comprar o chá. Uma boa campanha ou uma promoção poderiam gerar o trial, mas se não mudarmos o hábito, estimularmos o repeat, o chá, nessa altura, era consumido para ressaca ou problemas de saúde, saía pouco do armário. O problema é de hábito e, como diz Al Ries, “você tem que gastar muito dinheiro para mudar a cabeça do consumidor e achar o apelo certo”. Os chás naturais conseguiram nichos de mercado, mudando valores, estilos de vida. Hoje enfrento enormes desafios para levar equipes a conversarem, comprarem idéias sobre a sustentabilidade, etc.

Quando estamos envolvidos com algo, nossa tendência é nos misturar com aquilo. Muitas vezes é difícil alcançar a devida distância para criticar nossos próprios projetos. A agência deve ajudar o cliente a ver o seu negócio, seus

produtos, suas marcas. O cliente precisa desenvolver a vontade de criar nas agências. Somos todos gestores de clima. Criamos, com nossos briefs e planejamentos, o clima adequado para despertar vontades e criatividade. Devemos ter a devida isenção e distância para diagnosticar os problemas e ter visões de futuro.

O grande desafio é você não se perder nas informações recolhidas, mas conseguir ter uma visão global do problema. Fomos treinados para análise, não para fazer sínteses.

A síntese é um dos novos paradigmas que nos chegam. A síntese tem tudo a ver com planejamento de comunicação. Em 30 segundos ou 30 cm, em síntese, eu tenho que falar, tocar e convencer meu interlocutor.

O trabalho da agência ou do profissional de comunicação das organizações é intenso e tenso: trabalhamos criando oportunidades de errar, temos prazos, espaços limitados, ameaças constantes de perder o cliente: a concorrência é muito acirrada. Mas não creio que nada disso impeça a busca de informação. Se não foi possível num anúncio, nada justifica que você não comece a se preparar para o próximo.

Não é só informação específica que é importante para um planejador. É necessário ser informado genericamente: tendências econômicas, mudanças de valores socioculturais, arte, moda, cinema, etc. Na vida, o planejador tem que ser o detetive, o buscador.

Eu diria que profissional de planejamento é aquele que percebe como as coisas estão e intui o movimento. Usa o lado direito do cérebro. Não tem medo de descobrir as razões dos complicados comportamentos dos seres humanos no jogo social. Não é dono de nenhuma verdade. Está sempre na dúvida, buscando entender mais.

2. O PLANEJAMENTO DE COMUNICAÇÃO GOSTA DE DESCOBRIR “ALMAS”

Cada vez mais nosso trabalho é desenvolver marcas. O produto ou empresa só constrói sua marca junto a um grupo de consumidores quando ganha uma “alma” para eles.

As marcas têm cores, cheiro, forma, tamanho, sentimentos para seus interlocutores fiéis. Só que não é possível construirmos a “alma” de uma marca teoricamente, ou como desejamos. As organizações carregam potencialmente valores que passam para seus produtos e serviços. A cultura de uma empresa é formada pela sua história, pela história dos seus

fundadores, pelos valores desenvolvidos nos seus empregados. Uma empresa que não tem cultura é um negócio, não é uma empresa. Nosso trabalho também pode ajudar as empresas a encontrarem seus valores.

Uso sempre “bolas” para me lembrar visualmente que as coisas estão em movimento e também para me obrigar a ter uma visão holística. Fomos educados para a fragmentação e eu quero ir aprendendo o novo paradigma. Essa simples “bola de empresa” (em anexo), como eu a chamo, ajuda muito a perceber onde e com quem trabalhamos.

Descobrir a “alma” da empresa vai nos ajudar muito a construir a sua marca. Uma organização tem vida própria e essa vida é dada pela energia criada pelos seus participantes. Essa singularidade é dada pelo modo como esse grupo de pessoas pensa e se emociona.

A azaléia é diferente da violeta. A primeira gosta de água gelada nas folhas. A violeta detesta água nas suas folhas. A natureza nos ensina que não há receita, há vida. E onde há vida, há singularidade. Você pode usar o mesmo tipo de promoção interna para duas empresas. A comunicação, no entanto, deverá conter a “marca” de cada uma.

A comunicação é essencial no processo de mudança das organizações. Notem que eu não falo só em propaganda, porque ela é apenas uma das técnicas, falo de comunicação. Falo das inúmeras atividades de comunicação que podem ser usadas para cada um dos públicos-alvo de uma empresa para dinamizar seu negócio. Falo de propaganda, mala direta, comunicação corporativa, comunicação para a qualidade, sustentabilidade, eventos, promoções, incentivo, jornal mural, internet e milhões de outras atividades de comunicação.

3. FALANDO DE PÚBLICOS DE RELACIONAMENTO

Não estou falando de homens de 30 a 50 anos da classe AB. Também não falo de empregados de uma empresa. Estou falando de uma “bola” de públicos em movimento.

Um planejamento de comunicação deve, estrategicamente, entender cada público de relacionamento e exercitar entendê-los, identificar seus desejos e possibilidades de mudança.

Talvez o ponto nevrálgico de um planejamento esteja na escolha dos públicos que devem ser atingidos e do objetivo de comunicação junto a cada um deles.

Já vi empresas investirem fortunas num lançamento, incluindo Assessoria de Imprensa que declara “2 milhões em mídia”, e a empresa entrou em greve

três dias depois do lançamento da campanha porque os funcionários não entenderam porque ela havia demitido há um mês e agora gastava uma fortuna em mídia.

Empregado é um target essencial. Boca a boca é mídia. Marca se faz com o cunhado, a prima, o namorado da prima, a mãe do marido. O consumidor não vê a marca só na TV. É um conjunto de fatores que tem o poder de criar uma marca. Lidamos com o imaginário.

4. COMO CONSTRUIR MARCAS

Todas as vezes que se pensa em fazer comunicação está em jogo a vida de uma marca. E vida é mesmo a palavra certa, porque, ou está nascendo uma marca ou estamos preocupados com a saúde de uma delas.

Tudo que guardamos são imagens. Nossa mente é um arquivo de sensações, emoções, pensamentos. Não controlamos nossos pensamentos, por isso formamos imagens muitas vezes sem ter consciência de como isso acontece. A comunicação não planejada é um grande risco, porque você nunca sabe como o interlocutor vai reagir e que registro vai ficar para a sua marca. Mesmo usando pesquisa, monitorando todas as variáveis, ainda acontecem surpresas: o interlocutor está vivo e não controlamos o que tem vida.

Podemos, sim, estabelecer um diálogo com ele, conquistar sua participação, adesão. Planejamento é a única forma de ganharmos certa segurança no caminho. Sendo uma marca, um registro de imagem, se ela não tiver uma unidade estratégica, não fará sentido, gerará uma percepção confusa. De certa maneira, uma marca é como uma pessoa, um sonho, uma fantasia. Registramos impressões, imagens de pessoas, de fatos, de países, de governantes, de partidos políticos e de produtos e serviços.

Vários aspectos interferem na criação de uma marca. O interlocutor vai registrar uma cor, um paladar, uma sensação, vai formar crenças... Vai também despertar emoções, desejos de status, orgulho, vergonha, projeções de estilo de vida, etc. Poderá inclusive condenar nossa comunicação como “paisagem”. Fizemos mais um banner para um tema anual e, como perguntam os americanos, So What?

Nossa obrigação é perceber o movimento dessa marca, identificar os problemas de percepção e interferir de forma global tentando um melhor aproveitamento na conquista definitiva. Estou aqui falando de marca, mas não necessariamente as marcas são só as das empresas. Existem as “marcas” que são produtos internos, valores. Vamos pegar o exemplo do tema de segurança, que hoje está tão presente nas empresas. Toda hora falamos dele, mas estamos conquistando corações e mentes dos empregados? Estamos criando “paisagens”?

Cada vez é mais difícil diferenciar marcas. Os benefícios oferecidos são cada vez mais parecidos, o que obriga o planejador a buscar um equilíbrio diferente dos benefícios e “reason-whys”, a usar a sua criatividade para conquistar uma percepção diferenciada junto ao interlocutor.

Planejamento tem que ser uma oportunidade de reflexão. Quem não gosta de pensar não planeja. Quem se satisfaz com as primeiras respostas não cria novas soluções. Precisamos pensar no todo, ser capazes de fazer sínteses. Uma marca só é marca quando conseguimos uma unidade estratégica de todos os seus aspectos de interferência. Tem que fazer sentido, tem que ser possível comprar a “intenção”, querer compreender os significados. Fácil de explicar e de entender.

Planejamento é encontrar o equilíbrio dos fatores e conseguir comunicar em forma de síntese para o público certo – previamente definido - que carrega potencialmente a capacidade de se entusiasmar com o que estamos vendendo.

Devemos oferecer planejamento, devemos estimular nossa criatividade. Somos todos levados ao embotamento de nossa criatividade, caímos facilmente na rotina e no acomodamento.

Acho que fiz do planejamento minha vida porque tudo se torna extremamente interessante quando podemos pensar criativamente.

Estou certa de que a comunicação é uma arma. Estou completamente convencida de que as pessoas impactadas pela mudança de paradigmas desse final de século devem aprender a fazer comunicação.

Nada disso pode acontecer sem planejamento estratégico. O mundo vai mudar muito nesse momento da história da civilização, e estamos sendo chamados a usar a comunicação para construí-lo. Já vendemos descartáveis e agora vendemos reciclagem. Temos novas imagens de marca para vender no planeta. Novos produtos, valores, credos e tecnologias para anunciar.

Creio que, como contribuição, fica um convite ao pensamento, ao desejo de ter informação. Pesquisar quando for necessário. Ouvir, investigar. E depois processar essa informação e ousar uma proposição estratégica.

Não há desculpa para não fazer planejamento. Mesmo no ritmo louco que vivemos hoje, com agências pequenas, de poucos recursos, a atitude do

Planejamento pode levar a um trabalho mais sério e mais eficiente para o cliente.

Não há complicações. Não há mistérios. Há, sim, organização, visão crítica, garra e ousadia.

Isso é planejamento.

NÁDIA REBOUÇAS
Rebouças & Associados
http://www.reboucaseassociados.com.br/
rebouças@reboucaseassociados.com.br
Twitter: http://www.twitter.com/Reboucas_Assoc

terça-feira, 6 de julho de 2010

Maravilha de encontro

Confira trechos da participação de Nádia Rebouças, no talkshow com o Prof. Evandro Vieira Ouriques, ontem (05/07), no NETCCON.ECO.UFRJ. O encontro foi dirigido a alunos do curso JPPS - Jornalismo de Políticas Públicas Sociais. http://territoriojpps.ning.com/video/nadia-reboucas-no-jpps

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Ouvir basta para escutar?

Não, não basta. Há 11 anos a R&A usa metodologias de diagnóstico que partem do ouvir. Costumamos dizer que escutar é a nossa forma de planejar com mais eficiência. No entanto, muitas vezes os diagnósticos que trazem uma escuta profunda dos stakeholders não conseguem chegar aos níveis superiores das organizações.

Existem sempre os inovadores nas áreas de Comunicação ou RH. Ousam. Conseguem contratar uma pesquisa de “escuta profunda”, mas não conseguem tempo e disponibilidade emocional da liderança para efetivamente escutar. Por quê? Porque às vezes passam-se três anos, o gestor que contratou a pesquisa já foi para outra organização atrás de seus sonhos e o outro contratado “descobre” a pesquisa perdida num computador e nos liga porque descobriu ali os mesmos problemas que vem descobrindo na organização?

Sempre penso que os executivos não querem ouvir os diagnósticos porque na maioria das vezes não referendam as maravilhas disseminadas pelo Marketing da empresa.

Às vezes por vaidade, às vezes por medo de não conseguir mais manter o castelo de cartas. Mas na última Conferência do Ethos, Oscar Motomura abriu mais uma possibilidade: o medo de mudar.

Ouvir com profundidade pode, de acordo com ele, suscitar a pergunta: E se de repente o outro me convence? Pra que ouvir?

Não estamos no tempo de “marketear” o certo que fazemos. Frente aos desafios atuais busca de novo equilíbrio econômico, justiça social e respeito a todos os seres vivos, estamos longe, muito longe de fazer a coisa certa. Nas nossas próprias atitudes e mais ainda com nossas empresas e organizações.

Estamos num tempo da comunicação de fazer menos banner, jornalzinho ou publicidade e mais e mais comunicação face a face. Ouvir. Escutar e permitir que potências humanas adormecidas possam encontrar oportunidades de plena realização. Nas empresas, nas ONGs, nos presídios, nas comunidades.

É tempo de ouvir, refletir e não ter medo de mudar.

MARCAS

Escrevi esse texto para o evento de lançamento da marca da Eletrobras no final de março de 2010. Foi interpretrado por Marília Pera, num momento muito importante para as empresas Eletrobras. Compartilho com aqueles que prestam muita atenção a marcas.



Fico aqui no meu canto pensando e... pensando.
Na identidade, na nossa identidade. O ser de cada um de nós.

Ouço um pingo de água.... É... Acho que hoje é o dia da água... Ah! Uma homenagem a ela que nos faz entender a capacidade de nos movermos...

Você já se deu conta que a água não para? Encontra sempre caminhos... Pelos lados, por baixo e segue... Segue na sua busca singela... De ser água.

Aquela inevitável gota capaz de cair, assim... Sem pensar, e despertar toda a água numa ESPIRAL...
Só um pingo... Que fala do céu e da terra e produz... Movimento.
Acaba sendo uma marca que desperta todo o movimento... Criando círculos infinitos de transformação...

Penso nas marcas... Marcamos com símbolos, nosso gado.
Marcamos as pessoas... Com nomes!
O céu é todo marcado pelo desenho das estrelas, e lá estão elas se mostrando desavergonhadas, brilhantes!
E ganham nomes... Sozinhas e nas constelações...

No brilho delas, lembro de marcas da minha vida...
Ás vezes a marca do momento é um.... SOM.
Um barulho de água correndo no meio das pedrinhas redondas, na memória de minha infância... E pensar que esse rio vai e vai, se junta com outros, vai somando energias e acaba lá... Na explosão do mar! E a marca que ficou... Foi o SOM.
Ah! Mas às vezes, a marca que fica é um perfume... Lembro de odores, cheiros, perfumes incríveis, de vários momentos da minha vida... hum

Mas, tem momentos que deixam marcas... De tristeza...
Marcas, que na hora, no momento, parecem ter um tempo... Que não tem fim....
Mas logo vem o movimento... E tudo se transforma mais uma vez, trazendo outras marcas....
E vamos! Seguimos.
Essas são as marcas dos desafios... Que nos levam a construir outras e outras marcas....

E os momentos marcados pela dúvida?
Onde? Como? Como faço para construir pontes entre as marcas que carrego da vida e as novas marcas que estão chegando?

Mas, ai... Onde guardo para sempre a marca do sabor que aquela carambola perfumada deixou na minha boca? A primeira carambola, cortada em estrelinhas?

As marcas.... Das nuvens no céu, construindo imagens e eu ali... Descobrindo as coisas nos contornos delas...
Um cavalo... Olhe ali um cavalo...!

E ficam as marcas... Das nossas conquistas... Da nossa vida.
Memórias de nossa identidade.

domingo, 7 de março de 2010

Mulheres "sustentáveis"

Nossa, que difícil pensar na sustentabilidade e a mulher! Será que caminhamos para a conquista da sustentabilidade? Comecei a pensar nas mulheres que estarão aqui no futuro e que são fruto da minha geração, que brigou até para não usar sutiã! Isso tudo faz tempo e muita coisa mudou!

Creio que não podemos falar em mulheres genericamente. De que mulher vamos falar? Das executivas que são diretoras de grandes empresas? Daquelas que conseguiram se destacar na política e chegaram até ao cargo mais alto do país? Daquelas que em várias atividades, lutam para construir um mundo melhor, se posicionando como agentes políticos?

Ou será que falamos daquelas que levam de 2 a 3 horas para ir e vir do trabalho, que não tem com quem deixar seus filhos, que cuidam de tudo sozinhas porque os maridos... Essas ficam com medo da adolescência de seus filhos porque ela vem carregada de ameaças: drogas, violência, armas e falta de oportunidades. Encontramos ainda as que sofrem muita violência doméstica, que nos pedem ajuda também para os homens, para que possam melhorar a qualidade de vida. Algumas perdidas na zona rural ou ribeirinhas que vivem situações de violência doméstica em localidades sem qualquer apoio.

Ou falaríamos da novíssima geração, essa sim, contaminada pelos novos tempos que se anuncia que proíbem ou controlam a TV para seus filhos, insistem em novos hábitos alimentares, lêem rótulos de alimentos e remédios, que controlam o consumo do supérfluo? Sonham com as ecovilas, tentam reciclar o lixo em suas casas, para nada (os condomínios e prefeitos não fazem sua parte), têm filhos de parto normal, e escolhem amamentar e amamentar e tentam buscar o difícil equilíbrio entre o profissional e a família?

Nossa, mas ainda temos tantas outras mulheres! Aquelas que escolhem focar em plásticas, academias, regimes e roupas justas. As hetero e as homossexuais e, claro, as bissexuais. Já temos até uma parcela que escolhe viver só, sem filhos.
Além disso, ainda temos as que estão mudando o sentido do que se convencionou chamar de velhice, as mesmas que começaram a revolução, lá atrás. Muitas na mesma luta para construir novos tempos.

Um perigo falar de mulheres. Somos o que somos, o que escolhemos, o que pensamos ou queremos ser. Pelo menos fica claro o que conquistamos, temos muito mais direito de escolha. Nunca em nenhum outro momento da civilização as mulheres foram tão diversas. Uma coisa, no entanto, não mudou, a nossa capacidade de influenciar a educação de futuras gerações, ao contrário, ela só aumentou. A pergunta que fica é o que fazemos com esse nosso poder influenciador para manter nossa casa azul e solta no universo, respirando? Será que daqui a, sei lá, 20 anos, vamos ter uma revolução do feminino, onde homens e mulheres vão redescobrir o sentido da palavra proteger?