sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
O estímulo fantástico ao fim da visão da cerca, do muro
Dentro da própria campanha, o desafio foi ultrapassar a visão de muro. Quem dividiu a Terra em cercas e inventou milhões de regras e sistemas “democráticos”, tentando organizar a conversa entre os muros? Fomos nós. Criamos a linguagem que nos separara dos gestos e do olhar. De alguma forma, passamos a acreditar que éramos diferentes uns dos outros, que cada pedaço do território era independente de um sistema maior.
Construímos culturas focadas em pequenos recantos, sem conseguir perceber o todo.
Como falaria Robert Wilson, ficamos com a escolha da refeição e não enxergamos o menu. Ou ainda de forma mais significativa, ficamos com o mapa e não conseguimos ver ou sentir o território. Perdemos a visão da menina Terra e que ali dentro dela todos nós teríamos, sempre, nosso destino.
A COP 15 é um choque porque, pela primeira vez, alguns atores do comando dos territórios percebem o mapa global. Percebem que é uma bobagem pensar nas partes, mas descobrir, de repente, que estamos tratando do “nós comum”. Estamos todos dentro do mesmo desastre anunciado. TicTacTicTac. O tempo voa e não estamos nos dando conta, com a rapidez necessária, da importância da atitude de cada um de nós, mesmo que Copenhague esteja tão longe.
Neste momento que escrevo, Obama está em trânsito para Copenhague. Aqui não são os outros - burocratas, técnicos, políticos - que podem ter uma atitude final que inove na civilização, mas são “eles”, os que dirigem esse nosso planeta Terra neste exato momento. Nunca antes na história da civilização, um momento como este aconteceu. Eles, os “donos do mundo”, lá dentro conosco. Nós todos - ativistas, cientistas, cidadãos comuns, profissionais de meio ambiente, ONGs, empresas (existem algumas) - aqui fora, estarrecidos com as notícias e os fatos que nos fazem temer pela capacidade dessa sofrida casa que habitamos resistir aos absurdos. Trata-se de fazer escolhas, de perceber e acessar formas de viver, que acreditamos e executamos no nosso dia-a-dia, mês a mês, ano a ano. TicTacTicTac.
O tamanho da transformação exigida de nós é muito maior do que a COP 15 ou do que a decisão “deles”. Mas a decisão deles tem também um papel fundamental para nos ajudar - profissionais de Comunicação, ativistas, sonhadores - a conseguir alavancas para seguir. Temos que mudar atitudes, criar novas tecnologias e novas políticas públicas, responsabilizando todos nós, habitantes do planeta Terra. Não existem muros, existe um único território.
Por um acaso, as decisões sairão no dia 18, dia do meu aniversário. Sinto-me privilegiada porque posso pedir um presente: motivos concretos para que eu possa trabalhar mais rápido por um futuro. Tudo é movimento e não acaba agora, só entenderemos onde estamos dessa vez, construindo essa nova civilização. Ela está nascendo, em dor de parto. Poderíamos dizer que o parto é difícil, o bebê está sentado, fora da posição ideal para normalmente replicar a vida. Mas precisamos seguir, não temos outra chance. A escolha é: Qual será o tamanho do avanço hoje?
A COP 15 acaba, mas não a campanha global TicTacTicTac. Ela sai como patrimônio dos empreendedores do novo mundo, multiplica a capacidade em rede, sem fronteiras, com algumas vaidades, mas com uma capacidade de mobilização do tamanho da nossa menina, a Terra.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Sua voz em Copenhague
Os organizadores da campanha global sugerem ações que serão apresentadas durante a Conferência, que ocorre até o dia 18 de dezembro, como manifestação dos cidadãos do Planeta Terra: a pintura de mensagens em paredes e vigílias com velas.
Visite o site http://www.tictactictac.org.br e escolha um evento próximo de você.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
COMO AS MULHERES SE SENTEM FRENTE A VIOLÊNCIA NAS CIDADES?

( http://vids.mayspace.com/index.cfmfuseaction=vids.individual&videoid=62498179)
sábado, 10 de outubro de 2009
Um Sábado
Alguém pode sempre me perguntar, qual é a fonte de energia que me mantem ainda tão jovem na luta, na refexão e na ação, e eu sempre responderei que é o contraditório: a rebeldia e a paciência. Alguém, algum dia, sintetizou meu mapa astral : você é uma hippie ajuizada. Ri muito dessa definição, na época. Mas é isso: minha hippie e minha ajuizada tentam entender essa loucura que nós humanos fizemos com a terra, com os seres vivos, com nossa dignidade, nossos valores. E sigo.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
RSE e a Mídia, é possível?
"No momento que a impresa entender que não existe perfeição não vai mais haver mocinho e bandido."
"Jornal é um ramo de negócio velho, lento, em decomposição. Migrou para a internet sem descobrir a maneira de ganhar dinheiro com isso."
"Sustentabilidade não tem que ser uma especialidade do jornalismo, tem que estar em tudo, é notícia em qualquer área, a qualquer momento. O esporte tem que se preocupar com o ambiental."
"A crise ambiental caminha depressa e a humanidade devagar".
"Ser sustentável não é dizer que agora estou escovando os dentes, mas que estou preocupado em ensinar outras pessoas a escovar os dentes." (essa seria a missão das empresas, e mais especificamente poderia ser um papel relevante para os bancos).
"Falo uma hora para o repórter e não sai uma linha, só o que as ONGs falaram. Preconceito com a fonte empresarial?"
"Os jornalistas conhecem muito pouco o ambiente empresarial." (de fato eles conhecem mais as empresas da Avenida Paulista, como eu chamo)
"Repórter é ignorante, tem o dever profissional de ser ignorante, tem que querer descobrir, quando entende do assunto, passa a ser especilista e vai ser colunista etc."
"Repórter trabalha sob pressão não tem tempo de digerir."
"Jornalistas tem medo de se aproximar de empresas...antes eram brindes incríveis, havia até a brincadeira que na economia contínuo era gorado!"
"A imprensa com a empresa funciona na base da apurrinhação , acaba ajudando a empresa a perceber suas imperfeições."
"O marketing é que complica...Atingiu o foot print...tá errado. Aí um engenheiro da empresa me ligou e disse, olha eu sei que não é isso...O grande desafio da sustentabilidade está nos engenheiros e banqueiros!"
"Natura e Real são exemplos de como ir construindo o caminho. O Real assume para quem empresta dinheiro. Discrimina clientes. Isso faz a diferença. O engenheiro pensa no custo/ benefício, ele pode fazer a conta da execução e manutenção e deixar claro o impacto."
"Os bancos são conservadores, a mudança tem que ser estrutural, não é fácil. "
"Tem que trabalhar o público interno, é uma mudança cultural que envolve mudar processos. "
Cursos na faculdade de comunicação sobre sustentabilidade? Teve o sim e o não. Como é transversal não devia estar em tudo? Mas ainda não está...talvez no momento ainda precise de forte impacto sobre os novos paradigmas."
"Trabalhar a complexidade, a diversidade, dar aos estudantes a dimensão do que está acontecendo hoje , o impacto que causamos com nossas formas de pensar. Sustentabilidade é uma palavra síntese, sinônimo de sobrevivência e equilíbrio. Precisamos disseminar os novos valores através dela."
Conclusão: A conversa não flui entre empresa e imprensa. Quem está do lado da empresa, conhece muito bem a imprensa, passou pela mesma escola que ensina a criticar, investigar, nunca acreditar. Na ponta está o diretor da empresa, quase sempre um engenheiro ou financeiro, ainda pouco convencido que pode dizer que errou, que anida não fez, que ainda não conseguiu preparar sua equipe para fazer, ou simplismente que não entende porque todos agora cobram dele essa tal de sustentabilidade...Afinal ele faz tudo que faz para dar lucro aos acionistas e ser uma empresa sustentável...
Assim caminharemos...limpando conceitos, permitindo falar e ouvir e entender que nada está pronto, tudo está imperfeito, passível de melhorar. Melhoria contínua é uma linguagem que a empresa entende...é isso precisamos melhorar sem parar, com determinação a nossa forma de viver num planeta ameaçado...enquanto há tempo.
Precisamos também "ensinar a escovar o dente"ou seja a viver com novos hábitos no novo tempo da civilização. O que fica claro é que todos nós, que trabalhamos com comunicação, seja no velho jornal, nas novas mídias, na divulgação das empresas, fazendo programas, filmes, propaganda, assessoria de imprensa, precisamos correr contra o tempo para conversar mais e perder menos tempo não nos entendendo, porque...falta pouco tempo para podermos olhar lá na frente e exergar nossa sobrevivência. Que venham mais e mais oportunidades de diálogos entre nós. Que possamos ser mais sinceros.
Os profissionais da Alcoa , Nemércio Nogueira, da Natura Rodolfo Gutilla e do Itau, Sonia Favareto minha solidareidade por estarem desempenhando o importante papel de ponte no mundo da imprensa e de farol para dentro das organizações.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Instituto Bola para Frente


Hoje foi um dia especial. Visitei o Instituto Bola para Frente para fazer a palestra de abertura da Meeting Responsabilidade Social que acontece pelo oitavo ano consecutivo. O tema esse ano foi o desenvolviemtno sustentável. O Instituto convida empresas e organizações para debater, refletir sobre como podemos avançar na construção de uma sociedade mais justa. No ano passado conheci o Instituto e fiquei encantada com o que encontrei. Primeiro conheci Jorginho e sua história. Ele nasceu ali em Guadalupe, a comunidade que nunca abandonou, mesmo depois de ter conquistado o mundo com seu futebol. Ele e Bebeto resolveram seguir o sonho. O projeto procura através do esporte desenvolver a cidadania, o protagonismo, marcando gols na conquista da auto estima de meninos e meninas sem oportunidades e sempre a mercê do tráfico de drogas e da exclusão. Existem muitos projetos semelhantes mas algo se passa ali de muito especial. Hoje acho que entendi. existe no ambiente do Bola para Frente HARMONIA, um ambiente de comprometimento de todos e todas que se vai encontrando. Caso eu tivesse que traduzir o Instituto numa imagem, num desenho, eu certamente criaria um grande sorriso em cima de cima de uma quadra. Foi uma alegria! Os meninos e meninas de todas as idades nos recebendo, a orquestra de instrumentos construídos a partir de material reciclado, o coral com meninas e meninos começando por cerca de 3, 4 anos de idade. A horta no jardim com flores com o patrocínio da Agristar, os investidores sociais misturados a profissionais de outras ONGs, tudo numa organização impecável. A palestra foi feliz, meu coração estava também sorrindo e dividindo o sonho com Jorginho: por que não um espaço como esse em cada comunidade? Por que não trabalhar no local? Deixei meu carinho para todas aquelas crianças e jovens que vi fazendo, vivendo a cidadania e a educação com uma visão global. Lembro no entanto que alguém precisou sonhar para que tudo isso virasse realidade. E claro contar com equipes competentes para fazer a gestão do sonho. Nós temos o hábito de perguntar: como vai você? Como vai a vida? Talvez a gente devesse perguntar: como vão seus sonhos?
sábado, 12 de setembro de 2009
Plataforma IBASE
domingo, 23 de agosto de 2009
Aos poucos vou contar um pouco de tudo isso aqui...depois do dia 29.
A outra notícia é que a Rebouças está ajudando na parte de comunicação, da Campanha Internacional Tic Tac no Brasil, que vai marcar os 100 dias que nos separam da Conferência de Copenhague. Aí está a grande oportunidade de exercermos nossa capacidade de impedir que o fim de nossa civilização vá acontecendo pouco a pouco. Temos inúmeras informações da ciência e precisamos mudar nossa forma de viver. Cada um de nós pode fazer muito somado à compromissos assumidos pelos países, o que poderá acontecer em Copenhague. Leia abaixo o que é a campanha Tic Tac e veja como você poderá ajudar a todos nós. Também teremos várias notícias aqui sobre a campanha nos próximos 100 dias.
Como disse sumi um pouco, mas volto com muitas notícias daqui para frente. Aos que me seguem muita paz.
Acorda! Chegou a hora de salvar nosso futuro, e sua assinatura faz muita diferença.
De 7 a 18 de dezembro de 2009, lideranças de todo o planeta estarão reunidas em Copenhague para firmar acordos mundiais sobre a grave ameaça das mudanças climáticas. É inquestionável que este problema já está em curso, com efeitos dramáticos e potencialmente catastróficos para todos nós.
Ainda é tempo de evitar o pior, mas é preciso agir imediatamente! A transição para uma economia de baixo carbono pode trazer grandes benefícios, mas isso depende de como agirmos agora.
O Brasil tem papel fundamental nessa luta, já que é um líder nas negociações internacionais, mas também um dos maiores emissores mundiais de gases do efeito estufa. Mas sua postura ainda é tímida quando se trata de assumir decisões firmes e ousadas para sanar o problema. Falha também ao não dar o exemplo, colocando em prática no país, todo o discurso que apresenta no exterior.
Por isso nós, abaixo-assinados, reivindicamos que - além de implementar as necessárias políticas nacionais – as autoridades brasileiras assumam JÁ o compromisso de defender ativamente no plano internacional o avanço para um acordo climático global que possa, no mínimo:
Garantir que o aquecimento global ficará bem abaixo dos 2oC em relação à média histórica, estabelecendo metas e mecanismos para que, antes de 2020, comecem a decrescer as emissões globais de gases do efeito-estufa.
Reduzir as emissões dos países desenvolvidos em pelo menos 45% até 2020, frente aos níveis de 1990.
Estabelecer objetivos mensuráveis, verificáveis e reportáveis para redução substancial das emissões de países em desenvolvimento emergentes e em rápido crescimento econômico, viabilizados por medidas apropriadas a cada país.
Apresentar medidas concretas de mecanismos e compromissos de aportes financeiros, para apoiar países em desenvolvimento na estabilização e posterior redução de emissões, e na sua adaptação às mudanças climáticas.
Aprovar a criação de soluções e mecanismos de REDD (Reduções de Emissões Associadas ao Desmatamento e à Degradação Florestal), justos e aplicáveis a curto prazo.
Promover a sustentabilidade e dignidade do desenvolvimento humano e a integridade dos processos ecológicos, mediante a transformação da economia e o fortalecimento da democracia.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
A resposta para ela está na base da metodologia que temos aplicado na R&A com clientes como mineradoras, indústrias químicas, cimenteiras ou mesmo ONGs e institutos de educação: o diálogo com públicos de interesse.
A instabilidade e a incerteza fazem parte do cenário atual. E é através da conversa bem posicionada e franca,que podemos construir relações verdadeiras, que nos ajudem, nos fortaleçam e nos capacitem a lidar com as infindáveis transformações do mundo moderno.
Sabemos que nosso conversar é determinado por medo, ansiedade e vergonha. Em nossa cultura, não são muito freqüentes as oportunidades de falar com liberdade e sinceridade. Essa situação poderá mudar de modo significativo quando conseguirmos transformar nossas conversas em trocas de intenções, em vez de continuar a fazer delas meios de ocultá-las.
Esse certamente é o maior desafio para as lideranças das organizações na atualidade. É preciso construir uma ética do dialogar, dar feedbacks e abrir portas para nos transformarmos e transformarmos o mundo. Sustentabilidade portanto, nessa cadeia de relações e conexões, necessita de comunicação, diálogo e abertura ao outro.
E você o que acha?
Consumidor?
Fiquei perplexa por perceber que era tudo o que fizemos nos últimos tempos. Gastamos e extinguimos uma natureza exuberante que ganhamos de presente, desperdiçamos e jogamos fora nosso futuro, desperdiçamos milhões de vidas humanas no planeta, além dos animais. Consumimos. Sem parar. Inventamos desejos que nos enganam o tempo todo na ilusão da felicidade. Despertamos necessidades de consumo em milhões de pessoas, inclusive crianças e adolescentes, que não tem como atendê-los. Enchemos nossas cidades de violência. Pior que isso, chegamos a acreditar que estamos aqui para isso: consumir. Nossos adolescentes cortam os cabelos, desenhando a marca Nike nas cabeças, sem saber nem o que é, mas sabendo que é uma marca. E as marcas viraram valores, que muitas vezes justificam matar na esquina pelo tênis da moda. Fomos aprendendo gradativamente a valorizar as “coisas” e consumimos nossas vidas e esperanças num círculo insistente de violências.
Voltei para a apresentação e criei uma página onde coloco a palavra “consumir” e, em círculos, todos os significados que estavam no dicionário. Todas as vezes que mostrei essa apresentação pude perceber o efeito da mensagem. A seguir, sempre propunha a ressignificação do conceito consumidor: O INTERLOCUTOR.
A nova empresa, aquela que eu e muitos esperamos, vem descobrindo que deve matar o velho conceito de consumidor e começar a enxergar seus interlocutores.
E o que quer dizer interlocutor? O dicionário me respondeu mais uma vez: agregar, trocar, interagir, prover.
Foi um prazer ver que na última Conferência do ETHOS vários palestrantes decretaram o fim do consumidor. Não conseguiremos construir os novos tempos pensando igual e falando igual. A empresa que não descobrir que tem interlocutores, que entramos na era do diálogo, não terá um futuro promissor. Da mesma maneira, a velhíssima forma de pensar a comunicação no modelo emissor - receptor não faz hoje qualquer sentido. A comunicação circula, conversa, troca. A conversa gira em círculos, não mata, não aliena. Cria harmonia e respeito pela diferença. A tecnologia vem nos libertando do papel passivo de consumidores. Somos público, sim, mas de relacionamento. Quer conversar? Prepare-se para me ouvir. Eu estou podendo estabelecer limites e decidir como quero viver.
Por isso morreu também nesse ano, no ETHOS, o tal do público-alvo. É completamente natural que eu queira dar um tiro para transformar uma pessoa em consumidor. Um consumidor é sempre inconseqüente e inconsciente, por isso o tiro certeiro estudado até à exaustão pelas pesquisas de mercado. Inúmeros focus group foram realizados para descobrir como falar para que o alvo se torne público e deixe de existir como ser, virando consumidor.
Bem-vindos os interlocutores! Aqueles que lêem rótulos, notícias, escolhem origem e ingredientes, decidem o tempo de TV e o que seus filhos devem “consumir”. Conseguem, antes de pegar o cartão de crédito, pensar. Bem vindo o cidadão consciente, o prospect de interlocutor, que se nega ser um gastador, destruidor de tudo, especialmente de sua identidade.
Mudarão os planos de marketing. Será vergonhoso falar em público-alvo, assim como as empresas já estão mais cuidadosas ao falar em “comunidades do entorno”, porque começam a perceber que nessa simples definição estão esquecendo que a comunidade está ali, há tanto tempo, são a alma daquele território, eles é que estão chegando, como visita e precisam se apresentar como futuros vizinhos e pedir licença para entrar.
A forma como falamos ou escrevemos carrega significados. Só vamos construir uma nova civilização nos transformando, aprendendo e construindo os novos caminhos. E... rápido! Esse parece ser o recado que temos recebido.
Marketeiros e publicitários, os tempos ficarão mais desafiadores a partir dessa Conferência ETHOS 2009. Trabalhemos todos e todas para a conferência de 2010, que promete possibilidades de grandes novos avanços.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
GAP, sonho e esperança
quinta-feira, 26 de março de 2009
OBAMA e a Educação
"Só estou aqui por causa da educação que eu recebi. Eu não venho de família rica. Muitos dos nossos não estão recebendo a educação necessária, e isso acontece porque as escolas estão defasadas, não há professores suficientes, material defasado. Outro problema é a forma como as escolas e as aulas estão desenhadas. É preciso dinheiro e também reforma. Não é só colocar mais dinheiro, é preciso uma reforma.Vamos investir em educação infantil. Focar no professor, pagar mais, dar apoio, mais treinamento, atualizações e vamos trabalhar com os professores para determinar as melhores maneiras de dar a melhor educação aos nossos alunos."
Educação
sábado, 14 de março de 2009
Mulheres
MULHERES.
R&A e seu aprendizado sobre o universo feminino.
A R&A sempre homenageou as mulheres em março. Afinal, nossa alma é feminina. Após 2008 é impossível que eu e as consultoras da Rebouças não falemos ainda mais da mulher. Conversamos através de nossa metodologia Offplan com muitas e diferentes mulheres. Conversamos com elas sobre aborto, sobre seus desafios como “chefes de família”, sobre suas enormes perdas e dores frente à violência doméstica. Sobre a tristeza de ver seus companheiros e filhos se perderem nas drogas, seja o álcool, as drogas naturais e as sintéticas.
Entrevistamos mulheres do campo e da floresta onde sua voz fica totalmente abafada por falta de qualquer apoio, já que lá não existe ainda nem as delegacias de mulheres.
Conversamos nesses anos com operários que até muito poucos anos não tinham banheiro exclusivos. Não tinham ainda uniformes operacionais femininos, faltavam pregas e ajustes, e mesmo assim elas usavam batom.
Me dei conta que vivi em ilhas, onde como mulher já podia ter e ser. Não é assim na maior parte de nosso país e no mundo.
Claro que também aprendemos sobre a mulher executiva que se perde no papel, sendo um homem disfarçado de terninho e na profunda confusão com sua sexualidade.
O grande desafio é ser dona de nossas vidas, que acabou sendo o tema da Campanha contra a Violência das Mulheres do Campo e da Floresta. Conhecemos também as donas de si e diretoras do seu caminho que foram incentivadas e capacitadas pelo Fundo Elas de Investimento Social. Mulheres da periferia que com suas mãos, vontade e criatividade construíram um artesanato com personalidade.Vivemos o lançamento do Fundo Elas quando Elisa Lucinda, Heloísa Buarque de Holanda, Eliane Brum, entre outras mulheres muito especiais puderam conversar sobre nossos desafios que estão aí nas notícias da mídia todos os dias.
Todas nós da R&A descobrimos em 2008 a dor do aborto (um problema de saúde pública), da perda, do estupro do padrasto, do pai. A dor do medo, do desrespeito, da pobreza, da falta de educação e a transformação de tudo em ação, sobrevivência, autodidatismo, coragem, alegria, emoção, enfim, em vida.
Do corpo que sangra mensalmente às lágrimas que derrubam pelos homens que amam, somos iguais em classe social, religião, nível educacional, profissional, ou seja, qual for nossa diferença.
Somos mulheres. Temos um plug muito forte com a mãe terra. Somos mães, irmãs, mulheres que nesse tempo de falta de valor e significados, estamos construindo conexões com novos tempos no mundo todo.
O vazio do consumo sem nexo, do culto a celebridade, dos mitos das belezas, estão ai para matar nossa liberdade e impedir nossas escolhas com o coração.
O Dia da Mulher é homenagem da conquista da nossa liberdade. Precisamos agora dar qualidade as nossas escolhas, impedir que as jovens se percam na capacidade infinita que nosso sistema tem de matar o que tem valor na nossa vida em sociedade, as nossas meninas e a menina terra. E esse mês da mulher tem um símbolo, a menina de Recife. Ela está aí para mostrar que fizemos muito e ainda nada fizemos. No seu silêncio em anos de abuso está a matéria prima para nossas ações, nós mulheres que muito temos a fazer.
TEXTO (Do Blog de MIRIAM LEITÃO)
Anoitece no dia da Mulher e este silêncio do blog não é falta do que dizer.É tristeza. O caso da menina de Recife foi devastador. Não, ninguém ignoraquantas meninas são vitimas da violência em suas próprias casas. Os algozessão os pais, padrastos, pessoas que deveriam estar ensinando e protegendo. Os números são muitos, os casos que aparecem na imprensa são frequentes. Masa menina de Pernambuco doeu mais.Talvez por ter apenas nove anos, por estar sendo estuprada desde os seis,ou porque a chantagem do padrasto era que mataria a mãe. Ou talvez porqueela é bem pequena, menor do que deveria ser para a sua idade. Amenina passou anos vendo a irmã também abusada. Só a mãe das duas nada via. O que acontece que cega as mães?A menina de Recife lembra o quanto a luta da mulher será longa. Recentementea Sharia, um código tribal brutalmente contra a mulher, foi restabelecidaem todo o Paquistão. Acaba qualquer chance de que não aconteçam casos como ada escritora do livro Desonrada, Mukhtar Mai, que foi condenada a serestuprada publicamente porque seu irmão de 12 anos teria olhado para umamulher de casta "superior". O suplicio de Mukhtar, com estupro público emúltiplo, só não foi mais intenso que sua força de superação. A históriadessa paquistanesa choca e emociona, mas a notícia de que a Sharia, quetinha começado a ser suprimida no Paquistão, volta a ser usada em todo opaís é um choque. Penso em Mukhtar naquela pequena aldeia onde ela decidiumorar e resistir com uma escola para meninas e meninos. Normalmente eu gosto de escrever nos dias oito de março, de quantoavançamos, mostrando estatísticas de conquistas, e de quanto falta avançar, mostrando as diferenças salariais, o pequeno percentual de mulheres no poderem qualquer país, as discriminações, mas aí... veio a menina de Recife. Ela simplesmente me enfraquece. Que números de avanços levantar paracompensar essa violência? Eu penso nela diariamente desde o dia da notícia. Não pela polêmica daIgreja Católica, porque a Igreja não me espanta. Que ela excomungue omédico, as enfermeiras, a mãe pela decisão de interrupção da gravidez e quenada diga sobre o estuprador, não me surpreende. É apenas bizarro! Medieval.Eu penso na menina de Recife e nos debates que tenho participado nos últimosanos, sempre em março. Nesses debates sempre discordo das mulheres bemsucedidas que dizem que a luta está ganha, que o feminismo é um movimentoultrapassado, ou outros equívocos assim. Eu, feminista, confesso, minha lutae meu espanto diante da incapacidade de ver o óbvio: que cinco mil anos deopressão não se acabam em poucas décadas, que há muito a fazer, a construir,a vigiar, para que haja algum dia respeito igual. Falta tanto para o dia emque poderemos dizer que o feministro está superado!Mas hoje, na verdade, eu penso apenas no futuro dela: a menina curará suasferidas? Conseguirá entender e processar a violência de que foi vítima? Vaiestudar, ter carreira, filhos? Vai conseguir amar um dia? Escapará das teiasda reprodução da pobreza? Vai simplesmente reaprender a brincar, como devefazer uma menina de nove anos?.Eu podia dizer que ela desperta em mim uma fúria feminista. E é verdade, masé uma verdade incompleta. Ela desperta em mim o o sonho de protegê-la dealgum modo. De embalá-la docemente e contar uma história cheia de aventurase graça. De cantar para ela uma cantiga de roda, de brincar de pique escondeem volta da casa. De ir com ela ao cinema e comer pipoca sentada no degraude uma escadaria. Que tal um sorvete para resfrescar o calorão?Não sei o que é. Mas por alguma razão eu penso insistemente na menina deRecife neste dia da mulher. Penso com o coração. Eu apenas sonho que suasferidas se cicatrizem um dia. O discurso feminista, com estatísticas e fatos eloquentes, eu o farei outrodia. Hoje eu apenas quero sonhar que a menina de Recife um dia, apesar de tudo, após tanta violência, será feliz.
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segunda-feira, 2 de março de 2009
Nossas escolhas
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Nossa insensibilidade
“...No Quênia hoje temos 3 milhões de pessoas passando fome”. E continuou: “O Flamengo hoje...” Por um instante minha mente registrou o absurdo da nossa civilização. Estamos conformados com uma forma de viver e pensar que certamente não nos leva a conseguir as transformações necessárias. Notícias repetidas, em tom monocórdico, viram paisagem e não penetram na nossa consciência. É assim com a fome, a violência, o aquecimento global e tudo aquilo que possa nos tirar do pseudoconforto. Às vezes a realidade, que fingimos não ver ou escutar, bate na nossa cara. E aí, só aí, muitos começam a se dar conta de novas tarefas a realizar
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
R&A 10 anos
Quando começamos nunca imaginaríamos como seriam os nossos primeiros dez anos! Neste período, tudo aconteceu no mundo para que percebêssemos que a hora era para transformar. Essa certeza começou em 1988, quando saindo de uma agência multinacional, na qual eu era diretora de planejamento, percebi que eu deveria construir uma estrutura de comunicação própria, experimentar e seguir minha intuição dos desafios que começava a enxergar.
A Oficina fez 20 anos em dezembro de 2008. Hoje olhamos para trás e vemos as inúmeras dificuldades que eu, Antonio Jorge - que foi meu sócio por 12 anos e continua parceiro da R&A até hoje - e todos que passaram pela empresa enfrentaram. A crise virou uma constante em nossas vidas. Crises do Rio de Janeiro, como a ida de nossos clientes para São Paulo, crise da Rússia, crise disso e daquilo e essa equipe guerreira não parou, nunca deixou qualquer coisa abalar sua convicção de que precisava superar cada desafio porque tínhamos uma missão a cumprir no mundo da comunicação. Crescemos com parceiros, associados e clientes que acreditaram no nosso trabalho.
Brigamos muito com aqueles que insistiam, e ainda insistem, em manter modelos obsoletos, em não perceber o papel estratégico da comunicação integral, com visão sistêmica para a sociedade. Brigamos com os que não compreendem a responsabilidade de quem trabalha com comunicação, sejam jornalistas ou publicitários.
Às vezes nos sentimos sozinhos, pequenos, fracos. De repente surgia um novo guia que nos instruía, nos capacitava para enfrentar mais uma dificuldade e o profundo desânimo que às vezes nos contaminava. Mas seguimos. Sempre com um profundo compromisso ético e com valores fortes que atraíram para nós os melhores profissionais e os melhores clientes. Não só empresas, mas os Dons Quixotes que delas fazem parte. Aqueles que não têm medo de refletir sobre o que fazem dentro das empresas, onde é tão difícil mudar culturas, ir adiante. Procurar brechas e fazer acontecer um evento que fosse, que transformava mentes. Temos muito a agradecer a mestres queridos, que nem sabem como nos ajudaram como Marilyn Ferguson, Frijot Capra, Leonardo Boff, Ken Wilber, Willis Harman, David Bohn, David Cooperrider, Judy Rodgers, do IVE, Humberto Maturana, Peter Senge, entre milhares de outros que nos incentivaram a aprender a estudar, prática tão distante dos publicitários, e a criar nossas metodologias hoje reconhecidas por tantas empresas.
Temos que agradecer às ONGs, que conhecemos fazendo a programação visual da ECO 92, que nos surpreenderam desenvolvendo trabalhos por causas e nos fizeram voluntários de tantas delas e pelo aprendizado de como é profunda a mudança que temos que operar. Talvez o maior agradecimento seja ao Betinho com quem aprendi o significado do amor à humanidade, que me ensinou que não é piegas ser solidário, olhar sempre com doçura para toda e qualquer pessoa e que a fome, que afeta milhões de pessoas no mundo, é a prova de nossa absoluta aceitação da exclusão.
Temos que agradecer aos parceiros, são tantos que é impossível nominá-los, mas tenho um especial carinho por criativos que descobriram que abrir mão de uma boa piada ou trocadilho vale a pena para sermos responsáveis na comunicação. PUC e FGV permitiram nascer a palestrante, quando dei aula de publicidade e descobri que através da matéria podia dar aula de vida e de escolhas.
A R&A caminhará para seus próximos anos e, hoje, com a certeza de que sua força permanecerá como causa mesmo com novas lideranças. Você que está lendo esse Boomerang especial, receba nosso carinho e o nosso muito obrigada. Se você faz parte do nosso mailing, é porque você deu uma contribuição para nossa história. Seguiremos conscientes de que temos muito trabalho pela frente. Rápidas transformações precisam se operar como diz o slogan do Green Peace no Fórum Social Mundial de onde acabei de voltar: “É agora ou agora”.
Nádia Rebouças
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Curiosidade
A experiência de viver um Fórum Social Mundial é inesquecível. Foi um grande impacto para mim em Porto Alegre quando pude participar pela primeira vez. Não poderia deixar de participar neste ano que a Amazônia é o cenário para o encontro de mais de 100.000 pessoas de todo o mundo. Mas um Fórum não é só essa diversidade visual de cores, raças, gênero, idades, idiomas como você vê na grande mídia. Ela insiste em deixar a imagem de um evento exótico.
O que acontece aqui é muito mais. São as diferentes causas, as diferentes teses, os diferentes argumentos, os diferentes sofrimentos que se misturam com respeito. É a presença de parte da cidadania ativa do mundo que trabalha para melhorá-lo. Que clama por justiça e humanidade. São intelectuais, profissionais de ONGs, religiosos, estudantes, índios, quilombolas, comunidades que de uma forma ou outra estão organizados, formando redes, atuando por causas que lhes desperta a vontade dos voluntários.
Caso você realmente tenha curiosidade para saber o que aconteceu, a internet é a solução. A grande mídia, um pouco mais complacente este ano, vai te mostrar cenas folclóricas, pinceladas. Não há porque dar voz a participantes do mesmo planeta que desde o primeiro Fórum anunciavam o desastre de um modelo econômico que não leva em consideração a vida na Terra.
O desejo pela acumulação de poucos que passa por cima do meio ambiente e das populações menos favorecidas que sempre foi a maioria dos habitantes deste planeta. Neste século alguns governos começaram a ensaiar passos de mudança, empresas inventaram a responsabilidade social e muitos empregados começaram uma luta dentro das corporações para humanizar suas atuações, seja para os empregados, seja para as comunidades que normalmente enxergam como pertencendo ao “entorno”, isto é, elas são o “centro”.
Tudo isso foi pouco, muito pouco para a transformação que precisa se operar. Não se trata mais de pequenas mudanças ou ajustes. A exigência desse momento da humanidade é por uma mudança de nível de consciência, somos convocados a reinventar a sociedade: como vivemos, como compramos, como e o que produzimos, como distribuímos as riquezas, mais ainda o que é riqueza nesse novo mundo. Ninguém tem a resposta e por isso o Fórum Social se torna um movimento que põe o mundo em movimento.
Atrás dessas pessoas que estiveram lá, andando quilômetros pelas universidades de Belém, que assistem com espanto as chuvas com hora quase certa, se encantam com os peixes e as frutas, estão milhares de outras que receberão a influência desses agentes de transformação. As teses serão divulgadas, as redes se intensificarão e mais e mais mudanças serão estimuladas. Não há muito tempo, precisamos mudar tudo. Claro que começa pela nossa forma de pensar.
Informe-se vá para a internet, pesquise o que foi debatido no Fórum, deixe que as mangas de Belém caiam também nas suas cabeças para que um novo ciclo possa começar no mundo e possamos ainda salvar algo. Curiosidade. Lembra? Por que tantas pessoas se reúnem para pensar nos inúmeros temas? (veja programação no site http://www.forumsocialmundial.org.br/
Cada um de nós só tem uma escolha hoje: viver de ouvidos e olhos vendados ou ouvir e sair falando para transformar.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
O amanhã começou hoje
dia 20/01/2009